Senador pede que Palocci explique depósitos no Banco Santos

O senador César Borges (PFL-BA) apresentou hoje à Mesa do Senado um requerimento pedindo informações ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, sobre a existência de recursos de empresas e autarquias públicas depositados no Banco Santos, sob intervenção do Banco Central desde sexta-feira passada. O senador quer que o ministro explique a razão de o dinheiro estar depositado em um banco privado e não em um banco público. O requerimento de César Borges deve ser examinado pelo plenário do Senado na próxima semana. A Secretaria de Previdência Complementar (SPC), órgão responsável pela fiscalização dos fundos de pensão, já anunciou que não vai se manifestar sobre as possíveis perdas sofridas pelas entidades, a maioria patrocinadas por estatais, em aplicações feitas no Banco Santos. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Previdência Social, o secretário Adacir Reis, não fala sobre esse assunto. A manifestação sobre possíveis prejuízos vem partindo das próprias entidades em comunicação aos participantes. É o caso da Centrus, o fundo de pensão dos funcionários do Banco Central. Em comunicado aos servidores do BC, a fundação esclarece que possui aplicado em CDBs do Banco Santos R$ 34 milhões, o equivalente a 0,5% do seu patrimônio. A diretoria da entidade explica que na época da aplicação "as auditorias independentes e agências de rating classificavam a instituição como de baixo risco de crédito, com confortável situação patrimonial e de liquidez". Mesmo com a intervenção, que traz como conseqüência imediata a não disponibilidade das aplicações para os clientes com a liberação, por conta do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de apenas R$ 20 mil, a Centrus assegura que "a intervenção realizada não configura perda dos valores aplicados na instituição". A Centrus também esclarece que possui, além dos CDBs, um fundo de investimento em renda fixa administrado pela Santos Asset Management. De acordo com a diretoria da entidade é um fundo exclusivo, composto integralmente de títulos públicos federais e juridicamente independente do banco e que, portanto, não é afetado pela intervenção do BC. A Centrus não informou o valor aplicado nesse fundo. Já a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, garante que não tem nenhum centavo aplicado no Banco Santos. A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, informou que possui R$ 10 milhões aplicados na instituição, o que é um valor irrisório se comparado com o patrimônio da entidade, de mais de R$ 17 bilhões. Mesmo assim a entidade já resolveu provisionar o valor integral da aplicação como perda.

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