Senadores batem boca sobre 'perdão' da dívida da Varig

Arthur Virgílio provoca e Romero Jucá afirma que não se tratava de perdão, mas sim uma não sucessão da dívida

Isabel Sobral, da Agência Estado,

11 de junho de 2008 | 13h58

Um bate-boca entre os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) marcou parte da audiência pública, na Comissão de Infra-Estrutura do Senado que ouve a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu.   Veja também: 'Governo arquitetou a saída dos diretores da Anac', diz Denise Turbulências da Varig      Virgílio perguntava à diretora sobre por que o governo teria "perdoado" a dívida de R$ 7 bilhões da Varig, durante o processo de venda à VarigLog e posteriormente à Gol. Romero Jucá interrompeu a pergunta do colega afirmando que não se tratava de um perdão da dívida, mas sim uma não sucessão desse endividamento aos novos controladores, já que a Varig estava em recuperação judicial, e disse que essa possibilidade havia sido incluída pelo próprio Virgílio, na Lei de Falências, durante a tramitação, no Congresso.   "Se vossa Excelência se dedicar sempre a ler os meus textos com atenção, vai deixar de ser do governo e passar para a oposição. Até soube que o senhor foi chamado para ser líder de um eventual futuro governo Obama", brincou, Virgílio, referindo-se ao candidato democrata dos Estados Unidos, Barak Obama, provocando risos na platéia.   A discussão seguida entre os dois senadores se concentrou em uma matéria publicada pela revista Veja, que afirma que a TAM teria oferecido mais dinheiro pela Nova Varig, mas ela acabou sendo vendida à Gol, por uma oferta menor. "Essa é uma questão de negócio empresarial", afirmou Jucá em tom elevado. "São negócios onde sempre há a figura rosada de Roberto Teixeira", provocou Virgílio, referindo-se ao amigo e compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   Denise Abreu, em seguida, afirmou desconhecer qualquer razão para que a Gol tenha adquirido a Nova Varig, se a TAM teria oferecido mais dinheiro. "Existem muitos boatos no mercado de que se quis privilegiar a proposta da Gol. E digo aqui aos senhores de que nos pegou de surpresa (ex-diretores da Anac) a participação do advogado Roberto Teixeira também neste negócio. Mas não estou tirando conclusões. Apenas relatando", disso.

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