Senadores criticam atuação do Brasil na crise com a Bolívia

Os senadores da Comissão de Relações Exteriores criticam nesta terça-feira a atitude tímida do Brasil diante da crise com a Bolívia, durante a audiência com o ministro das relações exteriores, Celso Amorim. Para o senador Jefferson Peres (PDT-AM), a atitude "tíbia" do governo brasileiro foi provocada por um ranço ideológico. Ele criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por não ter reagido mais fortemente diante da atuação do exército boliviano durante a decretação da nacionalização do setor de gás e petróleo.O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) questionou o fato de o Brasil ter convidado o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a participar da reunião de cúpula em Puerto Iguazu, onde a crise foi discutida.Já o senador José Agripino (PFL-RS) afirmou que o Brasil perde a liderança na América do Sul. Ele também questionou o papel do assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, a quem o Itamaraty teria delegado as negociações com a Bolívia. Em resposta, Celso Amorim afirmou que a atitude da Bolívia foi espetaculosa e "um ato de consumo interno". No entanto, ele reafirmou que o governo brasileiro não deve endurecer as negociações com a Bolívia para evitar que haja uma radicalização nas posições, o que seria prejudicial para os dois lados. Amorim justificou a presença de Chávez na reunião explicando que ele tem uma boa ascendência sobre o presidente da Bolívia, Evo Morales, e que o venezuelano ajudou o Brasil nas negociações.Atuação diferenteO ministro explicou que a atuação do Itamaraty é diferente da de Marco Aurélio Garcia pois este tem um diálogo mais fácil com parlamentares da oposição dos países da região. Este papel, segundo Amorim, não pode ser desempenhado com desenvoltura pelo Itamaraty, pelo caráter mais institucional do Ministério. Ele negou ainda que o Itamaraty tenha delegado a liderança das negociações a Marco Aurélio. Tanto é assim que o presidente Lula teria pedido para ir à Bolívia o quanto antes para liderar as negociações. O ministro disse que irá ao país vizinho assim que for possível mas esclareceu que não será esta semana, pois acompanhará o presidente em sua viagem a Viena.

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