DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Senadores da base cobram saída do presidente da Petrobrás

Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) criticou o que chamou de 'arrogância' de Parente por não aceitar rediscutir a política de preços dos combustíveis

Felipe Frazão e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 13h49

BRASÍLIA - Senadores do PP e do MDB, partidos da base aliada do presidente Michel Temer, cobraram no plenário a demissão do presidente da Petrobrás, Pedro Parente, por causa da política de reajustes do preço dos combustíveis, que levou a uma greve de caminhoneiros com bloqueio de estradas em todo o País e desabastecimento nas cidades.

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O vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), pediu que o presidente Michel Temer demita Parente imediatamente. Em entrevista ao Broadcast Político, o tucano criticou o que chamou de "arrogância" de Parente por não aceitar rediscutir a política de preços dos combustíveis. Cunha Lima declarou que "um governo minimamente sólido" já o teria demitido.

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"Se o Pedro Parente não aceitar rever a política de reajuste, que ele saia da Petrobrás ou o presidente da República exerça o mínimo de autoridade. Um governo minimamente sólido já o teria demitido. Com todo respeito a ele, a Petrobrás não é maior do que o Brasil, nem o Pedro Parente é maior do que a Petrobrás. Tem uma inversão completa. Parece que as pessoas não percebem que a atitude dele está provocando o caos no Brasil", disse.

A senadora Ana Amélia (PP-RS), que havia cedido a palavra ao tucano, afirmou que o presidente da Petrobrás não tinha credibilidade para prometer redução de preços e deveria "pedir o boné". O senador José Maranhão (MDB-PB) disse que Parente não tem poderes absolutos e que o acionista majoritário da Petrobrás é o povo brasileiro. 

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O governo negocia, desde o início da semana, alternativas para reduzir o preço do óleo diesel. Caminhoneiros em todo o País estão parados nas estradas, o que já tem afetado o abastecimento em supermercados e postos de combustíveis. Ontem, a Petrobrás anunciou a redução de 10%, por 15 dias, no preço do diesel, o que seria um prazo para o governo e caminhoneiros concluírem as negociações.

Na Câmara, o projeto da reoneração da folha de pagamento de setores produtivos foi aprovado ontem, incluindo isenção ao óleo diesel das alíquotas de PIS e Cofins até 31 de dezembro de 2018. A matéria ainda precisa passar pelo Senado. O presidente da Casa, Eunício Oliveira (MDB-CE), disse hoje que ainda não recebeu "nada" do projeto e evitou responder quando será possível pautá-lo.

Os caminhoneiros alegam que a decisão da Petrobras não resolve o problema e que só vai cessar a greve quando as outras medidas prometidas forem sancionadas e publicadas no Diário Oficial da União.

 

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