JF DIorio/Estadão - 29/10/2014
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Senadores dos EUA querem que JBS deixe de receber recursos de programa de ajuda a agricultores

Subsidiária americana da empresa dos irmãos Batista já recebeu mais de R$ 240 milhões de fundo criado para ajudar produtores afetados pela guerra comercial com a China

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2019 | 17h40

Um grupo de senadores americanos se uniu para pressionar o governo de Donald Trump a interromper repasses milionários à JBS, empresa comandada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Eles reclamam que, em vez de ajudar os fazendeiros americanos, dinheiro do Departamento de Agricultura está indo para uma empresa estrangeira com “histórico de corrupção” e que é investigada pelo próprio governo dos Estados Unidos.

Na mira dos parlamentares, está um programa lançado por Trump para ajudar produtores afetados pela guerra comercial deflagrada por ele contra China e União Europeia.

Após Trump elevar tarifas para compra de bens industriais produzidos por chineses e europeus, as barreiras aos produtos agrícolas americanos aumentaram e as vendas dos fazendeiros foram seriamente afetadas. O governo Trump lançou então um programa para comprar mercadorias e tentar amenizar os prejuízos dos agricultores locais.

A JBS USA, que é subsidiária americana da brasileira JBS, aderiu e já levou mais de US$ 60 milhões (cerca de R$ 240 milhões), segundo relato dos congressistas. No total, o programa pretende chegar a US$ 12 bilhões em compras.

Se o contrato é pequeno para o porte da JBS – a companhia faturou R$ 47 bilhões em 2019 - o movimento dos senadores pode ajudar a arranhar a imagem da empresa nos Estados Unidos, principal mercado da empresa dos irmãos Batista no mundo.

Em cartas enviadas nas duas últimas semanas ao próprio presidente e ao secretário de Agricultura, Sonny Perdue, nove parlamentares democratas pediram que o governo tome medidas para impedir que dinheiro de um fundo de assistência, custeado pelo contribuinte americano, termine nas mãos de “competidores” dos agricultores do País.

Uma das cartas classifica como “ultrajante” que parte dos recursos seja destinada a uma empresa que está sendo investigada pelo Departamento de Justiça americano por violações do “Foreign Corrupt Practices Act”, que procura responsabilizar localmente empresas que tenham praticado atos de corrupção no exterior.

Irregularidades

Os irmãos Joesley e Wesley Batista confessaram, em colaboração premiada firmada no Brasil, ter cometido crimes como o pagamento de propina a políticos e funcionários públicos brasileiros.

No final de 2018, após a delação dos irmãos ter sido aditada pelo Ministério Público Federal, representantes do Departamento de Justiça dos EUA vieram ao Brasil para colher depoimentos dos dois empresários – Joesley e Wesley estão proibidos de deixar o País e de atuar em suas empresas.

Uma das correspondências enviadas ao governo americano menciona ainda que, no ano passado, a JBS USA foi alvo de apuração pelo próprio Departamento de Agricultura, que constatou que a empresa estava cometendo irregularidades na hora de remunerar seus fornecedores, os produtores locais.

No ano passado, a pressão de parlamentares democratas no programa de ajuda a agricultores foi bem-sucedida. A chinesa Smithfield, que também havia sido beneficiada, recuou do pedido e compras de US$ 240 mil feitas pelo governo por meio do fundo de assistência foram canceladas. Em nota, a JBS USA afirmou que é uma empresa americana e que seu único objetivo com o programa é ajudar os parceiros americanos e os preços dos produtores locais. A companhia afirmou que emprega mais de 63 mil trabalhadores nos Estados Unidos.

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