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Senna: dólar reflete perspectivas

A prisão do ex-presidente da Argentina, Carlos Menem, não é motivo para a alta do dólar no início dessa manhã. A moeda está custando agora R$ 2,3900, com alta de 0,08%, mas chegou a R$ 2,3970 nesta manhã - recorde de alta no Plano Real -, com alta de 0,37% em relação ao fechamento de ontem. A opinião é do ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio da MCM Consultores, José Júlio Senna. Na opinião do executivo, o dólar é um ativo e, como tal, seu preço reflete as perspectivas em relação à economia."As perspectivas de desaquecimento econômico em função da crise de falta de energia e de dificuldade para atrair investimentos diretos, assim como a necessidade de recursos para o financiamento das contas do País provocam a desvalorização do real frente ao dólar hoje. Esses problemas também justificam a manutenção dessa tendência", afirma Senna.O lado político interno, segundo o ex-diretor do BC, interage com as questões econômicas. Nesse sentido, ele afirma que o governo terá dificuldades para eleger um candidato à Presidência da República que mantenha a atual política econômica e isso pesa nas perspectivas que definem a cotação do dólar. Segundo Senna, não é correto apontar a cada dia um motivo para a alta do dólar, seja político ou econômico. "Na verdade, é uma interação de questões conjunturais econômicas e políticas", avalia.Atuação do governo Senna não defende uma aumento das intervenções do Banco Central no mercado de câmbio como forma de aumentar a oferta de dólares no mercado. Ele explica que, quando elas acontecem, o mercado reage momentaneamente com um recuo nas cotações. Mas, como o preço do dólar é formado a partir de perspectivas de longo prazo e elas não mudam de "uma hora para outra", a cotação da moeda norte-americana volta a subir em um segundo momento. "A perspectiva não é balizada apenas pelo fluxo cambial momentâneo. Na verdade, o fluxo é que segue a perspectiva. Com a colocação de papéis cambiais no mercado, os investidores entendem que a dívida do governo atrelada ao dólar aumenta e isso pode até piorar as perspectivas para o País", analisa. Afinal, se o dólar está subindo por questões estruturais, não vai cair pela simples emissão de títulos cambiais. E, pior, quando estes títulos vencerem, o governo vai ter que desembolsar mais. Em outras palavras, o nível de endividamento do País e o risco deste endividamento apenas aumentam.Para o consultor, a atuação do governo é limitada às tentativas de melhorar os fundamentos econômicos do País. "A intervenções no mercado de câmbio, assim como a política de alta de juros, que são complementares, apenas têm a finalidade de sinalizar para o mercado qual é a percepção da autoridade monetária do atual preço do ativo. Mas não têm por objetivo regular os preços", avalia.Definição do dólar não tem fórmula teóricaO ex-diretor do BC explica que a tendência para a cotação do dólar amanhã é definida pela cotação de hoje mais os choques conjunturais. Segundo ele, é comum que a taxa de câmbio se desloque dos fundamentos econômicos do País, já que esses choques são imprevisíveis e podem vir tanto do cenário externo quanto interno. Atualmente, segundo Senna, a cotação do dólar está descolada dos fundamentos, mas não é possível determinar qual seria o patamar justo de preço para o dólar, nem quando esta cotação voltará a refletir os fundamentos econômicos.

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