Senna é favorável à mudança no cálculo do superávit

O consultor financeiro e ex-diretor do Banco Central, José Júlio Senna, disse que, teoricamente, apóia a proposta do governo Lula de retirar do percentual do supervárit primário, previsto no acordo com o FMI, os investimentos públicos em infra-estrutura e em programas sociais. Mas que, na prática, a medida pode ter efeitos negativos, como o aumento da relação dívida-PIB. "Se você leva adiante essa conversa, e consegue convencer o Fundo Monetário Internacional, a não computar certas coisas no superávit primário, temos de lembrar que essas tais coisas precisarão ser financiadas de alguma maneira. E que maneira? Com a elevação da dívida pública do País", disse Senna em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News. Dívida excessiva Para Senna, o Brasil já é um país excessivamente endividado. "Então, o resultado de soluções deste tipo vai aparecer em outro lugar, como na conta de juros. A conta de juros não aparece no resultado primário, mas aparece no resultado nominal. O Brasil ainda tem um déficit nominal de 4% do PIB, aproximadamente. Isso significa, a cada ano, um aumento da dívida do setor governamental. E esse crescimento da dívida tem de ser interrompido. Então, no campo prático, não tenho certeza que seja uma boa idéia."

Agencia Estado,

10 Março 2004 | 07h22

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