Senna: perspectivas muito incertas para dólar

O comportamento do dólar nas próximos semanas é muito imprevisível. Segundo analistas, há incertezas no cenário externo e interno, as quais não permitem definir com clareza até que ponto as cotações podem chegar ou em que patamar se estabilizariam. Favorecendo uma queda, também as perspectivas são muito incertas. A única certeza que se tem, no entanto, é que as oscilações estarão presentes.O sócio da MCM Consultores e ex-diretor do Banco Central (BC), José Júlio Senna, avalia que qualquer perspectiva para as cotações do dólar devem levar em conta a visão de risco que analistas e grandes investidores têm sobre o País. "Historicamente, o comportamento do dólar tem forte correlação com as taxas de risco-país. Se essa taxa sobe, o dólar também sobe. Se a taxa cai, as cotações recuam também", afirma Senna. A taxa de risco-país é a percepção que os investidores têm sobre a capacidade de pagamento da dívida de um país. É calculada pela diferença entre os juros pagos nos títulos públicos norte-americanos e as taxas de um país. Para se ter uma idéia, quando as cotações do dólar chegaram aos patamares mais elevados nesse ano, a taxa de risco-país também estava muito alta. Os patamares mais altos nos últimos dias foram atingidos no final de julho. No dia 30, o dólar chegou a R$ 3,3000 e, no dia 31, atingiu o patamar R$ 3,4700. A taxa de risco-país foi de 2.341 e 2.406, respectivamente. Na sexta-feira, por exemplo, quando o dólar estava em R$ 3,1520, a taxa de risco-país também havia recuado, para 1.736.Tomando como base essa correlação, Senna avalia que qualquer perspectiva para o comportamento do dólar deve levar em conta a perspectiva de como os grandes investidores vêem as condições de risco do Brasil. "Hoje é muito difícil definir essa perspectiva. Basicamente ela depende da qualidade da política econômica adotada pelo próximo governo e, quanto a isso, ainda não há nenhuma certeza", destaca o ex-diretor do BC. Para Senna, é esse o principal motivo para o comportamento de oscilação das taxas de câmbio nas últimas semanas e que deve se manter até que se tenha uma idéia mais clara de como será a condução da política econômica a partir do próximo ano, quando assume o novo presidente da República.Nos últimos dias, além das incertezas internas geradas pela proximidade de troca de governo, os investidores estrangeiros também têm demonstrado aversão ao risco em função do desaquecimento econômico mundial, principalmente nos Estados Unidos. "Com isso, cresce a aversão ao risco e países emergentes representam risco para os investidores. De qualquer forma, o cenário interno tem tido influência maior", avalia.Veja no link abaixo a opinião dos analistas sobre essa forma de investimento.

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