Sentença dos acusados de rombo no Nacional será publicada nesta segunda

A sentença condenatória de 14 dos 18 acusados de gestão fraudulenta do banco Nacional, entre eles o ex-presidente do banco e acionista majoritário Marcos Catão de Magalhães Pinto, será publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial. Os advogados dos réus pretendem ainda neste domingo recorrer em segunda instância para tentar invalidar a punição imposta pelo juiz Marcos André Bizzo Moliari, da 1ª Vara Criminal Federal do Rio, que condenou os envolvidos no escândalo a penas superiores a 20 anos de prisão.Magalhães Pinto, segundo informações de advogados que tiveram acesso a parte da sentença, de 444 páginas, foi condenado a 28 anos e dez meses. Ao contrário do que havia determinado o juiz, os réus não comparecerão ao tribunal para presenciar a leitura da sentença. Liminar concedida na noite de sábado pelo vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves, suspendeu a sessão, mas não revogou a prisão provisória de oito dos acusados.RecessoÉ quase certo que os principais executivos do Nacional, que, segundo o juiz Moliari foram responsáveis por um prejuízo de US$ 9 bilhões aos cofres públicos, permaneçam na cadeia pelo menos até a próxima sexta-feira, dia 1º de fevereiro, quando termina o recesso judiciário e os recursos dos advogados de defesa serão novamente apresentados.A liminar livrou os ex-diretores do banco de tomarem conhecimento das penas em audiência pública. Como não haverá mais sessão, oficiais de Justiça lerão, para cada um dos réus, o resultado de mais de seis anos de processo criminal. Arnoldo de Oliveira, ex-braço direito de Magalhães Pinto e ex-vice-presidente do Nacional, receberá a segunda maior pena: 27 anos e dez meses. Clarimundo Sant?Anna, também ex-vice-presidente, foi condenado a 25 anos e quatro meses.A sentença foi registrada quinta-feira passada no cartório da 1ª Vara Criminal Federal e alguns advogados puderam ler parte dela. VisitasNeste domingo foi um dia cheio de visitas na carceragem do Ponto Zero, prisão da Polinter reservada a criminosos com diploma de nível superior. É lá que estão Magalhães Pinto, e quatro ex-diretores do banco (além de Clarimundo e Arnoldo, Omar Bruno Corrêa e Roberto Freire Severino Duarte, que se apresentou à Polícia Federal sábado).Desde às 9 horas da manhã, advogados e parentes se revezaram no local, levando comida, objetos pessoais e colchonetes. Um dos visitantes informou que alguns dos prisioneiros estão ?traumatizados?, mas ficaram satisfeitos com o cancelamento das participações na leitura da sentença de condenação.Segundo esse visitante, os ex-diretores e Magalhães Pinto estão conscientes de que dificilmente deixarão o Ponto Zero antes do próximo dia 5, quando termina o recesso judiciário. Dois outros réus que tiveram prisão provisória decretada, Nagib Antônio e Antônio Luiz Feijó Nicolau, que não têm graduação superior, estão no presídio Ary Franco, em Água Santa, numa cadeia específica para presos encaminhados pela Polícia Federal.

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