Brendan Mcdermid/Reuters
Brendan Mcdermid/Reuters

S&P afirma que retomada de grau de investimento até 2018 é improvável

A S&P foi a primeira agência de classificação de risco a retirar do Brasil o grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador, em setembro de 2015

Daniela Amorim e Mariana Durão, Broadcast

21 Novembro 2016 | 16h11

RIO - O fim do processo de impeachment reduziu, mas não eliminou as incertezas sobre a capacidade do governo para implementar políticas e reformas fundamentais para o Brasil, como o ajuste fiscal. A análise é da diretora de ratings soberanos da Standard & Poor's (S&P), Lisa Schineller, que veio ao Brasil para participar do seminário "Reavaliação do Risco Brasil", organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), no Rio. Segundo ela, dado que o País passará por novas eleições presidenciais em 2018 é improvável que a retomada do grau de investimento até lá. 

"Realisticamente é muito difícil pensar que o País poderia recuperar (o grau de investimento) antes das próximas eleições", disse após o evento.

A S&P foi a primeira agência de classificação de risco a retirar do Brasil o grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador, em setembro de 2015. Em fevereiro passado houve novo rebaixamento diante da piora das contas públicas e da crise política no período que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O rating ficou dois níveis abaixo do grau de investimento, refletindo o aumento do déficit das contas do governo e da dívida pública. 

Lisa destaca que o governo Temer tem uma janela curta para aprovar reformas e implementar políticas fundamentais para a retomada do crescimento e melhora fiscal, uma vez que as eleições em 2018 aumentam a incerteza política e dificultam a aprovação de medidas no Congresso. A diretora da S&P deixa claro que não basta propor reformas, é preciso executá-las. 

Questionada se acredita que a agência poderia, antes de 2018, alterar o "Outlook" (perspectiva) negativo atribuído ao País, Lisa deu sinais de que a S&P não descarta essa hipótese. Ela explicou, por exemplo, que a perspectiva negativa não leva em conta a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita o teto dos gastos públicos, mas que esta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, o que é um sinal de que o governo Temer pode ser mais consistente na aprovação de medidas, algo praticamente inviabilizado durante o impeachment.

 

O fim do processo de impeachment, frisou, melhora, mas não elimina ainda todas as incertezas sobre a tramitação de propostas como a reforma da previdência, cujo texto ainda é desconhecido. O relógio da S&P para reavaliar o País, entretanto, começou a correr novamente desde 31 de agosto, quando o Senado Federal aprovou a perda do mandato por Dilma Rousseff e tornou Michel Temer presidente da República. Segundo ela, o País ainda está nos estágios iniciais das reformas.

Petrobrás. Em relação à Petrobrás, Lisa Schineller preferiu não entrar em detalhes, mas destacou que o rating B+ atribuído à estatal leva em conta a percepção de que a União, controladora da estatal, entraria com suporte financeiro para o pagamento de dívidas da companhia se necessário. Sem isso, o rating da empresa seria pior. 

O perfil individual de crédito da Petrobras na visão da S&P é B-, disse. A agência também acredita que o governo poderia intervir também no BNDES se necessário, mas avalia que o perfil de crédito do banco de fomento é mais próximo do soberano, o que significa que as chances de uma ajuda são menores.

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