S&P alerta europeus para risco de calote do setor privado do Brasil

A agência de classificação de risco Standard & Poor?s, ao analisar hoje numa teleconferência a exposição dos bancos europeus ao Brasil , alertou que a carga da dívida externa do setor privado do País é elevada e poderão ocorrer alguns calotes nos próximos meses. ?O estoque da dívida externa do setor privado junto aos bancos é relativamente alto?, disse Jesus Martinez, analista da área de Serviços Financeiros da S&P. ?O perfil é de curto prazo e nos próximos doze meses parte dessa dívida vai maturar ou terá amortizações que poderão resultar em alguns defaults (moratória), a menos que as empresas arrumem uma maneira de administrar as suas obrigações nos mercados doméstico ou internacional?. Segundo Martinez, isso representa a maior fonte de risco para os empréstimos além-fronteira dos bancos europeus ao Brasil. ?Os bancos enfrentam o desafio de enfrentar uma pior performance de seus clientes, tanto corporativos como individuais diante de condições econômicas desfavoráveis?. No entanto, ele observou que o impacto de eventuais defaults sobre os bancos não seria pesado, embora ?alguns que possuem exposições a esse tipo de empréstimo também tenham amplas operações no Brasil.? Martinez disse que as classificações concedidos pela S&P aos bancos europeus com exposição no Brasil são consistentes com as classificações soberanas do País e por isso, ?não assumem o pior cenário?. ?Os riscos no Brasil cresceram, mas com o rating soberano de longo prazo para moeda estrangeira em ?B+?, a S&P não considera a carga fiscal e da dívida externa do país insustentavel?, disse. ?Os cenários externo e interno, entretanto, limitam o espaço de manobra do governo e por isso a perspectiva da classificação do Brasil continua sendo mantida como ?negativa?.O analista Jesus Martinez, analista da área de Serviços Financeiros da S&P, disse que a exposição dos portfólios dos bancos europeus aos títulos soberanos do país é outro fator de risco importante. "O impacto de um cenário de reestruturação de dívida poderia ter outras amplas implicações para o sistema bancário, inclusive a possibilidade de saque de depósitos", afirmou. Segundo a S&P, a turbulência na economia brasileira é um fator de pressão negativa principalmente para os bancos Santander, da Espanha, e ABN Amro, da Holanda. "O grande tamanho de suas operações no Brasil, o volume de capital investido no País, a contribuição das operações brasileiras nos seus lucros e a importância das suas operações no Brasil em suas estratégias globais tornam esses dois bancos muito mais sensíveis ao País", disse Martinez. "A consequência imediata da turbulência no Brasil é que eles poderão registrar lucros menores nas suas operações no Brasil e, além disso, terão que continuar a contabilizar uma perda no valor de seus investimentos por causa da desvalorização do real". Segundo ele, o Brasil representou 20% dos lucros consolidados do ABN Amro no primeiro semestre deste ano. Martinez afirmou que embora o banco espanhol BBVA tenha não tenha uma grande exposição ao Brasil, ele também é afetado pelo fato de já estar acumulando fortes perdas na Argentina. O banco italiano Nationale del Lavore também vem sofrendo alguma pressão. Já o grupo britânico HSBC, que tem uma grande presença no Brasil, "tem suficiente flexibilidade financeira e diversificacão de negócios para lidar com perdas potenciais no país". Em Portugal, Banco Espírito Santo e Caixa Geral de Depósitos são as instituições financeiras com maior exposição ao mercado brasileiro.

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