S&P: Brasil continua na rota do grau de investimento

A diretora da área de ratings soberanos e analista responsável pelo Brasil, Lisa Schineller, afirmou em entrevista concedida em Nova York, que foi muito importante que o governo, especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenha manifestado que vai manter a meta de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para o superávit primário (economia que o governo faz para pagamento de juros) no próximo ano. "É muito relevante o compromisso do presidente da República de manter o superávit primário intacto, apesar de não poder contar com as receitas da CPMF para 2008", comentou. Ela afirmou que a administração federal reagiu de forma positiva logo depois de o Senado ter rejeitado a prorrogação da contribuição até o final de 2011, ao ressaltar que o rigor fiscal não seria alterado, mesmo sem contar com receitas de R$ 39 bilhões do imposto.Para Lisa, se o governo comprovar em números oficiais no primeiro trimestre de 2008 que de fato manterá o superávit primário dentro da meta de 3,8% do PIB isso "manterá o País no caminho certo" para receber uma elevação da nota de classificação de risco (up grade) pela Standard & Poors, que na prática representará a concessão do grau de investimento. Em maio, a agência internacional elevou o rating soberano do Brasil para BB+ para moeda estrangeira, com "perspectiva positiva". De acordo com a presidente da S&P no Brasil, Regina Nunes, em 73% dos casos dos países que recebem a nota "perspectiva positiva" da empresa essa avaliação se torna um up grade em um prazo de um ano e dois meses. Este é um dos motivos que levam muitos analistas a avaliar que o Brasil pode receber o grau de investimento no segundo semestre do próximo ano. "A manutenção do bom histórico de gestão das contas públicas, inclusive com o cumprimento das metas de superávit primário, devem colaborar para que o País continue no processo de avaliação para o recebimento do grau de investimento", afirmou a executiva.A S&P assume que o governo conseguirá compensar as perdas de R$ 39 bilhões de arrecadação da CPMF especialmente com cortes de despesas e eventuais aumentos pontuais de alguns impostos. Lisa Schineller disse que há boas perspectivas de o governo conseguir acordos políticos adequados no Congresso para aprovar um novo desenho do Orçamento que contemple medidas que vão harmonizar as receitas com as despesas. "A aprovação da DRU no Senado indica que há boas condições para o diálogo entre o governo e os parlamentares sobre esta questão importante", ressaltou. InflaçãoJunto com a continuidade da boa gestão na área fiscal, Lisa acredita que o governo continuará apoiando a política monetária austera adotada pelo Banco Central para combater a inflação, que registra momento um movimento ascendente, especialmente porque a demanda está muito forte, em uma velocidade superior ao ritmo de expansão do PIB potencial. "Estou segura que o presidente (Lula) continuará a dar todo apoio à autonomia do BC a fim de trabalhar com energia para manter a inflação baixa, pois esse foi um dos principais fatores que contribuíram para a melhora da renda da população nos últimos anos", comentou.Para Lisa, a combinação da continuidade do rigor da política monetária e da área fiscal, com a expansão dos investimentos em infra-estrutura que vão ajudar a ampliar o potencial de crescimento do País, deve ser mantida pelo governo em 2008. Assim, ela espera que apesar da inflação subir em função sobretudo do aumento do consumo das famílias, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar próximo a 4,5% no próximo ano, enquanto o PIB também deve subir 4,5% num horizonte de 12 meses. "Com este cenário favorável para o Brasil, nos mantemos a perspectiva positiva para o País", afirmou.

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