S&P eleva perspectiva de rating do Brasil para positiva

Agência de classificação de risco destaca a diversificada estrutura econômica do País, o crescimento da classe média e o potencial de alta das exportações

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

23 de maio de 2011 | 19h17

A agência de classificação de risco Standard & Poor''s anunciou nesta segunda-feira, 23, que revisou sua perspectiva para o rating de crédito soberano de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil de estável para positiva. A perspectiva para o rating de crédito soberano de longo prazo em moeda local foi mantida como estável. (Leia abaixo como funciona a classificação de risco)

A Standard & Poor''s afirmou, no comunicado, que manteve o ratings em moeda estrangeira de longo prazo do País em BBB- e o rating de longo em moeda local em BBB+, classificação considerada como "grau de investimento".

Segundo Sebastian Briozzo, analista da S&P, "a diversificada estrutura econômica do Brasil, o crescimento da classe média e o potencial de alta das exportações deverão dar suporte para crescimento do PIB e da liquidez externa nos próximos três a cinco anos".

O consenso político favorável a políticas fiscais e monetárias prudentes provavelmente conterá o risco de perturbações econômicas que podem surgir dos choques potenciais. As recentes medidas para limitar as pressões inflacionárias de curto prazo demonstram o compromisso do governo brasileiro para conter os riscos macroeconômicos, ressalta Briozzo.

'Pilares da estabilidade macro tendem a se fortalecer'

A limitada flexibilidade fiscal do Brasil e as elevadas taxas de juro domésticas vão continuar a exigir que o governo continue fortemente comprometido como um approach econômico prudente, afirma a S&P no comunicado. "A perspectiva positiva reflete a probabilidade cada vez maior de que os pilares que sustentam a estabilidade macroeconômica do Brasil vão continuar a se fortalecer nos próximos anos, gradualmente reduzindo as restrições fiscais e a vulnerabilidade soberana aos choques externos", diz a nota.

A S&P acrescenta que as boas perspectivas de crescimento de longo prazo, combinadas com o aumento da liquidez externa e a lenta melhora dos mercados de capitais locais podem "impulsionar a capacidade do governo para administrar rápidas mudanças adversas nas condições econômicas globais e para manter a estabilidade".

Em contrapartida, alerta a S&P, o fracasso em conter a inflação em níveis que mantenham a credibilidade da política de meta da inflação do Banco Central, combinada com uma política fiscal mais frouxa e o recurso potencialmente maior a empréstimos dos bancos do governo podem paralisar a recente melhora nos pilares macroeconômicos do Brasil e adicionar pressão de baixa sobre o rating.

Entenda a classificação de risco

A classificação de risco é uma ferramenta usada pelos investidores na hora de decidir em que país irão colocar suas aplicações. Ela reflete o risco que um país tem de não honrar o pagamento de seus títulos. Quanto melhor é a avaliação, menor é o risco e, portanto, maior é a capacidade do país de atrair investimentos.

A partir de um determinado patamar de classificação de risco o país é considerado "grau de investimento". Ou seja, o risco de calote é muito baixo. Muitos fundos de investimento estrangeiro direcionam recursos apenas para países que têm esta classificação. Com informações da agência Dow Jones.

Texto atualizado às 19h43

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