S&P espera que o BC continua a cortar a Selic

Diretora de agência crê que maior compromisso fiscal deixará caminho livre para alívio monetário

Luciana Antonello Xavier, correspondente da Agência Estado,

14 de dezembro de 2011 | 13h06

NOVA YORK - A diretora de ratings soberanos da agência de classificação de risco Standard & Poors, Lisa Schineller, acredita que um maior compromisso do governo no lado fiscal deixará o caminho livre para o Banco Central prosseguir com sua política de alívio monetário. "Não damos diretrizes para a economia, mas esperamos que o BC continue com uma política monetária mais agressiva, com cortes mais agressivos dos juros ao longo de 2012", afirmou, em entrevista exclusiva à Agência Estado. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) reduziu a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 11% ao ano.

Schineller ainda espera inflação salgada no ano que vem, mais perto de 5,5%. "Não veremos a inflação em direção ao centro da meta (4,5%), certamente não no próximo ano. E quanto mais tempo a inflação ficar acima do centro da meta, fica mais difícil mover de volta para o centro."

A diretora deixa claro, no entanto, que isso não significa esperar que a inflação continue subindo "cada vez mais".  "Por enquanto parece que a economia brasileira irá trabalhar com níveis de inflação mais altos do que fez há alguns anos", disse.

Para mudar esse quadro, segundo Schineller, o Brasil precisará crescer menos. "O Brasil provavelmente precisa crescer mais perto de 3% por mais tempo, alguns anos, para trazer a inflação para baixo."

Metas e banda

A diretora da S&P lembrou que o Brasil ainda tem a meta de inflação mais alta entre os países da America Latina (4,5%) e banda mais larga (dois pontos porcentuais para baixo e para cima) e que o ideal seria perseguir objetivos ousados no médio prazo, como reduzir a meta de inflação.

"Reduzir a meta de inflação e estreitar a banda teria que ser um objetivo do Brasil no médio prazo. Neste momento, falando mais realisticamente isso não deve ocorrer antes de três anos. Mas começar a dar sinais, a pensar em reduzir a meta e comunicar isso é importante."

No lado fiscal, no entanto, Schineller não acha que o País adotará uma meta de superávit fiscal mais ambiciosa. "Não acho que seja realista pensar numa meta de superávit primário mais alta. Mas entregar a meta atual com melhora da qualidade das contas fiscais, provavelmente geraria expectativas positivas no setor privado. Muito ainda pode ser feito sem que o governo precise aumentar a meta. Mas isso também não é fácil de fazer."

Escândalos

Schineller falou ainda sobre os escândalos envolvendo o governo Dilma e que geraram a saída de vários ministros neste ano. "Nossa visão do Brasil em termos de instituições, de políticas e de previsibilidade se encaixa muito bem na categoria BBB", disse. "Sobre as mudanças frequentes de ministros que temos visto, a questão é se isso muda as direções das políticas do governo ou não. E não mudou. Não, no sentido de enfraquecer a habilidade de negociação no Congresso. E não vemos isso mudando", analisou a diretora.

Upgrade

Ao que parece, a nota soberana do Brasil poderá ficar de molho ao longo de 2012. A S&P elevou o rating soberano de longo prazo em moeda estrangeira de Brasil de BBB- para BBB, com perspectiva estável no mês passado.

"Temos perspectiva estável no rating. Devemos ver uma mudança no outlook antes do upgrade. Certamente um upgrade não está no nosso cenário básico para 2012 no momento", explicou. Mesmo para falar de uma mudança de perspectiva, Schineller é cautelosa. "Precisamos ver o que mais está na agenda do governo para fortalecer a estrutura de suas políticas. Não está claro, por enquanto, que veremos isso no ano que vem".

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