S&P prevê queda no PIB argentino

A agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P) estimou que, se a deterioração das condições econômicas continuarem no ritmo atual, a Argentina poderá registrar uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 10% por volta do terceiro trimestre deste ano. "Apesar de não fazermos esse tipo de projeção, não é difícil de imaginar que tal contração da economia poderá ocorrer num único trimestre, se a situação continuar no nível que está", afirmou a diretora de ratings (classificações) corporativos para Argentina da S&P, Marta Castelli, durante teleconferência sobre o impacto da crise argentina no rating corporativo do país. Segundo ela, está sendo observado um aumento grande nos atrasos de pagamentos a fornecedores e a funcionários por parte de várias empresas argentinas. "Isso causa um efeito dominó bastante negativo", acrescentou. A S&P rebaixou, na segunda-feira passada, o rating de várias empresas argentinas para Default Seletivo (SD, na sigla em inglês), observando que essas empresas já estariam inadimplentes no pagamento de determinadas obrigações financeiras, embora possam honrar o pagamento de muitas dívidas dentro do prazo. O pagamento de fornecedores no exterior, segundo Castelli, é uma das obrigações em que está sendo observado o maior atraso. Esse atraso seria conseqüência de uma combinação de fatores, entre eles a dificuldade de fazer transferência de recursos para o exterior. "Tanto que as empresas argentinas que não tiveram seus ratings rebaixados para SD são aquelas que têm operações no exterior ou suas controladoras estão sediadas no exterior, o que garante um suporte forte para fazer o pagamento das obrigações no exterior", explicou a diretora da S&P. Ela observou que a recessão na Argentina está muito mais forte do que o antecipado ou esperado pelos economistas e analistas. "A queda na atividade econômica no terceiro trimestre deste ano será mais forte do que o mercado está antecipando", acrescentou. O atraso nos pagamentos das obrigações, segundo ela, tem sido motivado também pela interrupção da atividade no sistema financeiro, com as mudanças nas regras feitas pelo governo argentino.Leia o especial

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