S&P reafirma rating do Brasil em BB e retira nota de observação para possível rebaixamento

S&P reafirma rating do Brasil em BB e retira nota de observação para possível rebaixamento

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que não esperava que houvesse mudanças na nota de rating do Brasil por causa da mudança de metas

Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues, Idiana Tomazelli, Lorenna Rodrigues e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 21h06

A agência de classificação de risco Standard & Poor's reafirmou nesta terça-feira, 15, o rating global BB do Brasil e colocou a perspectiva em negativa. A nota estava em revisão para possível rebaixamento.

De acordo com a S&P, a economia parece ter se estabilizado apesar das questões políticas, que são refletidas nos desafios políticos do País.

A empresa de classificação de risco diz ainda que a perspectiva negativa reflete o risco de rebaixamento dentro dos próximos seis a nove meses. 

"O governo parece empenhado em fazer avançar a reforma da Previdência, em conter o crescimento das despesas e em avançar a ativa agenda de reformas microeconômicas", disse a agência.

Na opinião da agência, porém, a passagem de "alguma reforma" da Previdência não pode esperar até depois das eleições de 2018. "Serão necessárias ainda medidas politicamente difíceis adicionais no Congresso para diminuir a rigidez orçamentária em 2019, já no âmbito do próximo governo", afirmou.

A empresa disse ainda que, dada a magnitude de desafios econômicos, a incapacidade do Congresso de avançar a reforma da Previdência reflete "a capacidade mais limitada da classe política do Brasil em promover a prosperidade econômica e as medidas fiscais sustentáveis". 

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que não esperarava que houvesse mudanças na nota de rating do Brasil por causa da mudança de metas. “Temos explicado para as agências de rating os motivos da mudança e uma das agências mais importantes deve divulgar ainda hoje uma nova avaliação. Mas nossa expectativa é que não haja mudança no rating”, respondeu.

Meirelles repetiu que a alteração das metas fiscais para 2017 e 2018 não é resultado de aumento das despesas, como já foi muitas vezes, mas sim de uma queda na arrecadação decorrente de uma inflação menor. "Há um ano, nem o mercado e nem o BC previam uma inflação abaixo da meta em 2017”, afirmou. “E devido às restrições de ordem legal, não se podem cortar despesas obrigatórias”, completou o ministro.

++ Para presidente da Câmara, governo 'não tinha outra saída, senão revisar a meta fiscal'

Questionado sobre como o Congresso receberá a proposta de mudança de meta, o ministro disse que as lideranças estão convencidas da necessidade de alteração. “Num primeiro momento, todos são contra mudança de metas, eu também. Mas todos somos responsáveis e realistas e consideramos que revisão decorre da mudança na inflação”, alegou.

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, confirmou ainda que, com a ampliação da meta de 2017 em R$ 20 bilhões, será possível realizar um descontingenciamento de R$ 8 bilhões no Orçamento deste ano.

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