Marcos de Paula/Estadão
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S&P rebaixa nota da Eletrobrás

Agência diz que esperava um ano melhor para a estatal, mas que interferência do governo federal fez empresa perder receita

FERNANDA NUNES/RIO , O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2014 | 02h04

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou ontem a nota de crédito individual da Eletrobrás, de bb para bb-, por considerar que a geração de caixa da empresa em 2014 foi afetada pela interferência do governo na sua administração. "A Eletrobrás é o agente do governo de atuação na microeconômica do setor elétrico", justificou a analista da S&P, Julyana Yokota.

A agência esperava um ano melhor para a Eletrobrás. Mas, ao contrário do previsto, a estatal se viu obrigada a vender boa parte da energia que tinha disponível no mercado cativo de eletricidade para salvar distribuidoras da exposição no mercado livre, no qual o valor do megawatt hora (MWh) é mais caro (ficou em R$ 822 boa parte do ano e hoje está em cerca de R$ 550).

Com a seca que atinge os reservatórios das usinas há meses, o setor elétrico vive um período de escassez de energia, o que repercutiu na elevação do preço ao limite máximo no mercado de curto prazo. Ao oferecer energia mais barata no mercado cativo às distribuidoras, em vez de vender no mercado à vista, a Eletrobrás contribuiu para aliviar o caixa das distribuidoras. Em compensação, perdeu uma chance de geração de receita, como tem ocorrido com outras empresas.

Além disso, os altos preços da energia no mercado à vista pesaram sobre as finanças das distribuidoras do grupo, que, em muitas ocasiões, se viram obrigadas a recorrer ao comércio de curto prazo para atender os seus compromissos contratuais.

A nota global da Eletrobrás, no entanto, permanece a mesma: BBB-, em moeda estrangeira, e BBB+, em modela local. E não há perspectiva de rebaixamento, porque, em uma situação extrema de fragilidade financeira, a Eletrobrás poderá contar com o apoio do Tesouro Nacional, avalia a S&P. A nota global só poderá ser rebaixada se o mesmo acontecer com a nota do governo brasileiro.

Ou seja, a agência de classificação de risco considera que o Tesouro estará sempre pronto a ajudar a estatal elétrica. Julyana lembra que, em outros momentos da história da empresa, a União recorreu à liberação de recursos de bancos estatais, como Caixa e Banco do Brasil, para fortalecer o caixa da companhia.

A analista diz que o nível de endividamento da Eletrobrás hoje é mais alto do que o da Petrobrás, por isso, a nota individual da empresa foi rebaixada, enquanto a da petroleira, também estatal, não sofreu alteração.

No terceiro trimestre deste ano, a estatal teve prejuízo de R$ 2,7 bilhões - crescimento de 199% em relação ao resultado negativo de R$ 915 milhões verificado no mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, o resultado foi influenciado especialmente pela energia elétrica comprada para revenda, que atingiu um montante de R$ 3,135 bilhões no período.

Petrobrás. A Moody's teve análise semelhante à da S&P em relação à Petrobrás na quarta-feira. Nesse caso, foram as fragilidades na capacidade da empresa de inibir desvios de recursos que motivaram o rebaixamento da nota individual da petroleira de baa3 para ba1, queda de um degrau.

A Moody's, assim como afirmou a S&P ontem em relação à Eletrobrás, ressaltou, no entanto, que a nota global da petroleira está mantida, pelo menos no curto prazo.

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