Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

S&P rebaixa nota de crédito da JBS

Agência de classificação de risco segue os passos da Moody’s e da Fitch, que já haviam reduzido o rating da companhia após a delação dos controladores

Matheus Maderal, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2017 | 22h23

A nota de crédito da JBS sofreu mais um rebaixamento nesta quarta-feira, 14. Depois da Fitch e da Moody’s terem divulgado sua decisão, foi a vez de a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) reposicionar o frigorífico dos irmãos Batista em sua escala de avaliação.

O rating da empresa brasileira e de sua unidade nos Estados Unidos caiu dois degraus, de BB para B+, o que significa que a companhia passou de um nível especulativo para altamente especulativo. Na prática, a agência está indicando ao mercado e aos investidores que aumentou a probabilidade de calote por parte da empresa, dificultando a captação de recursos.

Em escala nacional, o rating da empresa também foi rebaixado, de brAA para brBBB-. Além disso, a agência também apontou a possibilidade de um novo rebaixamento.

Segundo a S&P, a decisão reflete a visão de que as investigações de corrupção e o acordo de leniência que a controladora J&F Investimentos firmou com as autoridades brasileiras “são evidências de fracos padrões de governança e resultam em uma flexibilidade financeira reduzida para a JBS”. O relatório diz ainda que “os ratings permanecem em observação negativa em razão dos riscos de refinanciamento consideráveis e pressões de liquidez, dado que a empresa possui um grande volume de dívida com vencimento no curto prazo.”

Os primeiros rebaixamentos da JBS foram anunciados pela Moody’s e pela Fitch em 22 de maio, apenas cinco dias após a divulgação da delação dos irmãos Batista, que deflagrou uma crise no governo de Michel Temer. A Moody’s voltou a reduzir a nota da companhia no último dia 9 de junho, de Ba3 para B2, também considerado altamente especulativo. Em nota, a agência justificou o rebaixamento dizendo que a nota refletia “os riscos contínuos relacionados a possíveis processos judiciais futuros, à governança da empresa e possíveis danos à reputação da companhia”.

A J&F Investimentos, controladora da JBS, confirmou em 31 de maio a assinatura de um acordo de leniência, se comprometendo a pagar R$ 10,3 bilhões em 25 anos, referentes a investigações de corrupção, com alguns dos executivos da JBS inseridos no caso.

Compliance. Em meio à crise, a JBS anunciou, ontem, a nomeação de Marcelo Proença para o cargo de diretor global de compliance, com o objetivo de garantir as melhores práticas de governança do mercado. A diretoria de compliance responderá diretamente para o Conselho de Administração da JBS.

“Meu objetivo é aprimorar o programa de compliance, tornando-o um modelo para o mercado, com plenos controles externos e internos, os quais, estou confiante, irão assegurar uma empresa de sucesso perene, evoluindo muito na construção da confiança e da reputação perante os stakeholders e, em especial, colaboradores, mercado e sociedade”, cita Proença, em comunicado.

Com 27 anos de carreira, Marcelo Proença é advogado, mestre e doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde leciona Direito Comercial. Ele também é professor nos cursos do GVLaw, da Fundação Getúlio Vargas, e já publicou oito livros.

O Conselho de Administração da JBS também anunciou a contratação do escritório White & Case LLP, que irá apoiar a condução do projeto na empresa de alimentos. / COLABOROU KARIN SATO

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