S&P rebaixa rating de longo prazo da Espanha

Aumento dos riscos da dívida espanhola levou a agência a cortar nota de A para BBB+ 

Patrícia Braga, da Agência Estado,

26 de abril de 2012 | 18h41

NOVA YORK - A Agência de classificação de risco soberano, S&P rebaixou nesta quinta-feira, 26, o rating de credito soberano de longo prazo da Espanha de A para BBB+ e o rating de curto prazo de A-1 para A-2, os dois com perspectiva negativa. A decisão da S&P reflete o "aumento dos riscos para a dívida líquida da Espanha em relação ao PIB em meio à contração da economia, em particular devido à deterioração na trajetória do déficit orçamentário de 2011 a 2015, em contraste com nossas projeções anteriores e aumento na probabilidade de o governo precisar no novo suporte fiscal para o setor bancário".

Segundo a S&P, estão aumentando os riscos para o desempenho e flexibilidade fiscal, e para o peso da dívida soberana da Espanha à luz do aumento do contingente de obrigações que pode se materializar no balanço de pagamentos do governo.

Em fevereiro, a Moody's rebaixou rating de credito soberano da Espanha de A 1 para A 3 dizendo que a perspectiva para os desafios fiscais que o país terá de enfrentar foram exacerbadas pela derrapagem fiscal maior do que o esperado em 2011, principalmente porque os governos regionais ultrapassaram os limites para o Orçamento.

A S&P disse que espera agora contração para a economia da Espanha, citando declínio na renda disponível, alavancagem do setor privado, implementação da consolidação fiscal do governo, e incertezas em relação à perspectiva para a demanda externa em muitos dos importantes parceiros da Espanha. A agência de classificação de risco espera contração de 1,5% no PIB da Espanha em 2012 e de 0,5% em 2013. Anteriormente, a projeção era de crescimento de 0,3% para 2012 e de 1,5% para 2013.

Devido à elevada projeção para o déficit acima do esperado anteriormente e outros itens que podem aumentar a dívida, a S&P prevê que a dívida líquida geral do governo em 76,6% do PIB em 2014, em relação à estimativa anterior de 64,6% do PIB.

Apesar das condições econômicas desfavoráveis, a S&P disse que acredita que o novo governo da Espanha vai implementar uma série de medidas estruturais que podem dar suporte ao crescimento econômico no longo prazo. Entretanto, a S&P não espera que as medidas para a reforma do mercado de trabalho vão criar empregos no curto prazo e disse que a já elevada taxa de desemprego vai piorar até que a recuperação sustentável seja restabelecida. Em janeiro, a S&P rebaixou o rating de crédito soberano da Espanha como parte de uma série de rebaixamentos de países da zona do euro. As informações são da Dow Jones.

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