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S&P vai reavaliar País após execução de medidas

Para diretora da agência, confiabilidade do ministro da Fazenda por si só não justifica mudança na perspectiva da classificação de risco brasileira

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE , O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2015 | 02h03

WASHINGTON - A credibilidade da equipe econômica e o mero anúncio de medidas de ajustes não serão suficientes para levar a Standard & Poor's a mudar sua perspectiva estável para a classificação de risco do Brasil, rebaixada em março. "Nós queremos ver sinais de que as medidas têm apoio da classe política de maneira ampla: da presidente (Dilma) e do Congresso", disse ontem a diretora de crédito soberano da agência, Lisa Schineller.

Para ela, a execução dos anúncios será crucial para definir o próximo passo da S&P em relação à dívida soberana do País, que está em BBB-, o mais baixo patamar da faixa de grau de investimento.

Em sua avaliação, a situação do País hoje está pior do que a de março, o que agravou os desafios que a presidente terá de enfrentar. O panorama fiscal se deteriorou, o endividamento do consumidor aumentou, a confiança se retraiu e o crescimento se deprimiu mais que o esperado. O cenário que já era ruim se complicou ainda mais com o escândalo da Petrobrás.

Uma das preocupações da diretora da S&P é que o baixo crescimento e as pressões políticas para revertê-lo afetem a capacidade da equipe capitaneada por Joaquim Levy de corrigir o rumo macroeconômico e impor ajustes. "Nós já ouvimos antes que não haveria mais financiamento para os bancos estatais", disse Lisa em Washington durante evento sobre as relações EUA-Brasil promovido pelo Atlantic Council. "Queremos ver o novo time colocar as propostas na mesa e ter uma percepção do apoio e da possibilidade de execução."

A princípio, uma mudança na atual perspectiva estável da classificação de risco não viria em 2015. Mas isso pode mudar se houver deterioração ou melhorias não antecipadas no cenário. O eventual cenário negativo implicaria o afastamento substancial do governo das medidas de ajuste, seguido de um choque que não seja bem administrado, o que teria impacto sobre as contas fiscais e externas. Lisa teve mais dificuldade em definir o que desequilibraria a perspectiva para o lado positivo: "Algo que não vimos ainda".

O cientista político Ricardo Sennes disse que Levy tem condições de enfrentar os desafios políticos. "Levy é um Chicago Boy, mas trabalhou com três partidos políticos diferentes: o PSDB, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, o PMDB com Sérgio Cabral e o PT, no começo do governo Lula. Ele não é só um cara técnico. É um cara com grande habilidade política", afirmou.

Diplomacia. Sua nomeação para o Ministério da Fazenda, ao lado da de Mauro Vieira para as Relações Exteriores, pode facilitar o processo de reaproximação com os EUA, avaliou Anthony Harrington, embaixador americano no Brasil de 1999 a 2001. Além de ter estudado na Universidade de Chicago, Levy trabalhou em organismo multilaterais em Washington durante oito anos. Vieira foi embaixador brasileiro nos EUA de janeiro de 2010 até assumir o novo cargo, há duas semanas.

Depois da turbulência provocada pelas revelações de espionagem da Agência de Segurança Nacional, há indicações de que a relação Brasil-EUA pode voltar aos eixos neste ano, avaliou Harrington. Uma delas foi a presença do vice-presidente Joe Biden na posse de Dilma e o longo encontro que ambos tiveram em Brasília. A presidente e Biden desenvolveram um forte relacionamento pessoal, lembrou o embaixador: "Quando perguntaram o que ela admirava em (Barack) Obama ela respondeu que é o seu bom gosto em relação a vice-presidentes".

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