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Sequência de recuos nos índices mensais começa com o IGP-M

ANÁLISE:

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2014 | 02h07

A pressão dos alimentos não é a única a pesar sobre os índices de inflação. Mas tem força suficiente para explicar o recuo relativo esperado para os próximos meses. É essa percepção que emerge do IGP-M de abril, divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas.

Em relação a março, o ritmo de elevação, no mês passado, caiu para menos da metade. A razão principal: o alívio nas altas dos preços agrícolas no atacado. De fevereiro para março, o ritmo de variação do IPA agropecuário deu uma freada forte, recuando de 6,15% para 2%.

A trajetória de queda fica mais evidente quando se acompanha a marcha da família do IGP. Observando, em sequência, a evolução do IGP-10, do IGP-M e do IGP-DI, vê-se uma escada de subida, em fevereiro e março, com pico no IGP-M, de 1,67%, em março, e uma de descida, em março e abril, com o ponto mais baixo no IGP-DI de abril, a ser divulgado na próxima semana e projetado em menos de 0,6%.

Esse efeito, como era de se esperar, ainda não aparece com muita força nos índices ao consumidor. Mas é só uma questão de tempo até que o alívio das altas de preços dos alimentos no atacado se transfira para o varejo, assim como, na direção inversa, a pressão no atacado foi bater nos preços ao consumidor.

Mesmo com inegáveis pressões de outra natureza além dos alimentos, a trajetória previsível da inflação mensal, nos próximos meses, aponta para uma contenção de ritmo. O recuo da inflação mensal até um índice abaixo de 0,3%, possivelmente em agosto, será contrabalançado por uma escalada no acumulado em 12 meses, em razão de uma base mais baixa em 2013. Ironicamente, deve superar o teto da meta ainda no segundo trimestre, quando os índices mensais estarão em queda.

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