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Ser e parecer

Ao avisar que Levy continua no ministério da Fazenda, a presidente Dilma mostrou que espera ser reconhecida como chefe de governo; Falta saber se ela consegue, de fato, chefiar seu governo

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2015 | 21h00

Ao desautorizar o PT, que prega indisfarçadamente a demissão de Joaquim Levy, e ao avisar que o ministro continua à frente do programa de ajuste, a presidente Dilma mostrou que espera ser reconhecida como chefe de governo. Falta saber até que ponto ela consegue, de fato, chefiar seu governo.

Com sua atitude, a presidente Dilma reafirmou que o ajuste fiscal é programa de seu segundo mandato, e não manifestação de idiossincrasia de seu ministro. E deixou implícito que, se insistir em exigir a demissão de Levy, o PT estará agindo como oposição e não como governo.

Mas esta pode não ser uma demonstração de autoridade, como a presidente Dilma gostaria que fosse. Pode não passar de jogo de cena de quem quer passar a impressão de que ainda manda no governo.

A presidente acaba de executar uma reforma ministerial determinada pelo ex-presidente Lula, com a qual apenas acabou por concordar, cujo objetivo aparente não é dar eficácia às políticas decididas e praticadas pelo governo, mas apenas garantir sucesso ao projeto eleitoral do PT e do ex-presidente Lula, pouco importando a salvação da economia brasileira. Se isso passou a ser assim e se continuar a ser assim, que garantias existem tanto para a permanência do ministro Joaquim Levy no cargo quanto para a execução do ajuste fiscal?

A presidente Dilma ainda não convenceu nem o PT nem o ex-presidente Lula de que o brejo em que está metida a economia é o resultado das escolhas equivocadas de política econômica dos últimos sete anos de governo. É preciso solução e não um bode expiatório, como Joaquim Levy.

Por acaso existem outras opções a essa política econômica que o PT refuga? Infelizmente, não. Se colocadas em prática, as chamadas propostas alternativas defendidas pelo PT, como as expostas há três semanas no documento Por um Brasil Justo e Democrático, da Fundação Perseu Abramo, não contribuiriam para uma solução. Ao contrário, agravariam a crise porque não passam de coleção de proposições populistas, que pressupõem a derrubada artificial dos juros e a expansão das despesas públicas, numa fase de penúria do Tesouro. Defendem a continuação da distribuição de bondades, como se os tempos das vacas gordas, propiciados pela forte expansão da China e da alta do mercado global de commodities, continuassem em vigor.

O bolo nacional diminuiu e continuará diminuindo, o brasileiro ficou mais pobre e as bases para a retomada do crescimento têm agora de ser reconstruídas sob chão mais firme.

O PT não é a única força política que se opõe ao ajuste. O próprio governo Dilma se recusa a reduzir mais drasticamente as despesas públicas. E o Congresso até agora se recusou a derrubar as pautas-bomba que aprofundam o déficit e a recessão.

Nessas condições, é difícil de garantir por muito tempo a continuação do ministro Joaquim Levy no governo. Desta vez, a presidente Dilma conseguiu resistir aos ataques. Das próximas, talvez não consiga. E, mesmo se conseguir, é preciso ver se o ministro Levy conseguirá manter-se à frente de uma política econômica que não consegue decolar.

CONFIRA:

O gráfico mostra como vem caindo a confiança do empresário industrial.

 

Desânimo

Curvas como a que está aí acima se multiplicam em praticamente todos os setores da economia. Mostram o desânimo dos empresários, os responsáveis pela atividade econômica. Se não vê perspectiva de melhora em seus negócios, o empresário, em vez de contratar mão de obra, demite; em vez de investir em equipamentos e instalações, diminui custos; em vez de aumentar produção, faz o contrário. Pior que a quebra de confiança é a total falta de sinais de recuperação.

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