Ser Educacional contrata fundador da Anhanguera

Antonio Carbonari Netto será responsável pela expansão do grupo sediado em Pernambuco, que tem ambição de crescer no Sudeste

NAIANA OSCAR, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2015 | 02h06

O maior grupo de ensino superior do Nordeste deu ontem mais uma prova de que tem planos ambiciosos para crescer na região Sudeste e avançar no principal mercado de educação do País, o Estado de São Paulo. A Ser Educacional, empresa fundada pelo empresário pernambucano Janguiê Diniz, anunciou a contratação do ex-professor de Matemática Antonio Carbonari Netto como vice-presidente de expansão da rede, que no ano passado faturou R$ 705 milhões. A 'nova aquisição' é emblemática, já que o professor foi um dos fundadores da Anhanguera e precursor da consolidação que criou gigantes do ensino superior privado no País.

No comunicado divulgado ontem à noite, Diniz destacou a contratação de Carbonari como uma "grande conquista para a consolidação da Ser Educacional como uma companhia com presença e atuação nacional". A empresa fez sua estreia na região Sudeste em dezembro do ano passado, com a aquisição da Universidade Guarulhos (UnG), por cerca de R$ 200 milhões. Foi a primeira investida da instituição de ensino fora das regiões Norte e Nordeste, onde tem 35 unidades e 118 mil alunos. Em março, a companhia também anunciou a compra do Centro Universitário Bennet, no Rio, por R$ 10 milhões.

"A chegada de Carbonari à Ser Educacional demonstra claramente os planos de expansão da empresa, já que ele é muito bem relacionado e teve um papel importante na consolidação do setor", disse Daniel Damiani, sócio da consultoria JK Capital, com forte atuação no segmento de educação privada.

Em 1994, Carbonari deixou a sala de aula para fundar sua primeira faculdade, na cidade de Leme, em São Paulo. Como a expansão para outros municípios se deu ao longo da Rodovia Anhanguera, ele batizou a rede com o nome da estrada que liga a capital paulista ao interior. Quando estava prestes a alcançar os 10 mil alunos, precisando de dinheiro para executar um sonho ambicioso de "massificar o ensino superior", Carbonari vendeu parte das ações para o professor Gabriel Rodrigues, fundador da Universidade Anhembi Morumbi. Mais tarde, o controle da Anhanguera passou para as mãos de um fundo da gestora de investimentos Pátria, que profissionalizou a gestão da companhia e comandou uma série, até então inédita, de aquisições no setor.

A Anhanguera foi o primeiro grupo de educação a abrir o capital na Bolsa. Em 2006, a empresa levantou R$ 1,7 bilhão e saiu às compras - foram 39 aquisições em cinco anos, entre elas a da paulistana Uniban, que na época tinha 400 mil alunos. Carbonari participou ativamente desse processo ao lado dos executivos do Pátria. Em abril de 2013, a Anhanguera surpreendeu o mercado anunciando uma fusão com a Kroton, em um negócio que criou a maior instituição privada de ensino superior do mundo.

Padronização. Carbonari permaneceu no conselho de administração da empresa resultante da fusão até agosto do ano passado. De lá para cá, prestou consultoria para outras grandes empresas do setor, como a Unip e a Uninove. Entre seus pares, ele divide opiniões. Ao mesmo tempo em que é admirado por sua história de empreendedorismo, recebe críticas por defender a "padronização" e o ganho de escala no ensino superior.

"Quando começamos, as faculdades eram muito tradicionais. Adotavam um currículo carregado e a visão europeia de formar para a vida. Nós decidimos formar para o mercado de trabalho", disse, em uma das entrevistas em que falou sobre o modelo de negócio da Anhanguera. "Carbonari deixou a paixão de lado e transformou a educação numa linha de produção", afirmou uma fonte do setor.

A dúvida no mercado é se ele vai conseguir imprimir o mesmo ritmo de expansão na Ser Educacional, ao lado de Janguiê Diniz, de quem é amigo de longa data. As condições macroeconômicas mudaram e, desde o fim do ano passado, as empresas de educação tentam recuperar a confiança dos investidores, abalada com as novas regras do programa federal de financiamento estudantil, o Fies.

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