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Ser Educacional vai à Justiça após Laureate aceitar proposta da Ânima

Ser deixou de fazer contraproposta para adquirir ativos no Brasil do grupo americano por entender que rival Ânima não cumpria com a exigência em contrato de apresentação das fontes dos recursos a serem utilizados na transação

Cynthia Decloedt e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 05h00

Mais um litígio foi aberto em torno de uma aquisição no mercado brasileiro, após a Ser Educacional deixar de fazer uma contraproposta para adquirir os ativos no Brasil da norte-americana Laureate, que incluem a FMU e o Anhembi Morumbi. O entendimento da rede de ensino controlada pelo empresário Janguiê Diniz é de que a oferta concorrente – feita pela Ânima e declarada vencedora pela Laureate – não cumpria a cláusula do contrato que exigia a apresentação das fontes dos recursos a serem utilizados na transação, apurou o Estadão/Broadcast

Desta forma, o grupo Ser decidiu questionar a decisão da Laureate na Justiça. A companhia americana já conseguiu liminar para que o negócio siga em pé. No entanto, existe a possibilidade de que essa batalha só venha a ser definida em câmara de arbitragem, arrastando a venda por até três anos. Isso contraria a expectativa da Laureate, que era de sair rapidamente do negócio no Brasil.

A diferença entre as duas propostas era de R$ 500 milhões – a Ânima também ofereceu pagamento à vista. A Ser Educacional propôs R$ 1,7 bilhão em dinheiro, além de assumir de R$ 623 milhões em dívidas. O restante, para fechar a oferta total de R$ 3,8 bilhões, incluiria uma participação de 44% no grupo de Janguiê Diniz.

A proposta da Ânima inclui ainda um bônus de R$ 200 milhões relacionado a determinadas métricas financeiras. A empresa também se comprometeu a pagar a multa de R$ 180 milhões pelo não fechamento da transação prevista no acordo com a Ser.

“A Ser ia fazer uma proposta, mas a da Ânima não tem funding, o que era uma exigência do contrato”, disse uma fonte que conhece a transação, na condição de anonimato. Ontem, o grupo pernambucano informou ao mercado que houve divergência entre as duas empresas em relação ao exercício do direito da Laureate de procurar outras propostas pelo ativo até 13 de outubro. “Em razão dessa divergência, o assunto será discutido judicialmente.”

Segundo a fonte ouvida pela reportagem, a leitura é de que o mérito da ação da Ser é forte. A pessoa com conhecimento do assunto diz, ainda, que a Laureate teria perdido o prazo para comunicá-la sobre uma oferta concorrente. Por conta desse litígio, a fonte afirmou que pode ser mais difícil para a Ânima obter recursos no mercado financeiro.

Estratégia

Para a Ser, os ativos da Laureate são bastante estratégicos. Se sair vitoriosa desse litígio, a empresa irá galgar importantes posições no mercado educacional em São Paulo, onde ainda não tinha conseguido se estabelecer. Entre as universidades do portfólio da Laureate estão a FMU e a Anhembi Morumbi. O grupo contabilizava 267 mil estudantes no Brasil em junho deste ano. 

Um dos argumentos de defesa da Laureate é o de que a Ser invalidou o acordo ao recorrer à Justiça. Segundo o comunicado divulgado pela americana, a Ser informou ontem que obteve uma liminar parcial e temporária para bloquear o fim do acordo entre as empresas, da qual a Laureate pretende recorrer. A americana alega ainda que não houve uma nova proposta por parte da Ser – algo que a companhia tinha o direito de apresentar. Procurada, a Laureate disse que as informações pertinentes estão no documento apresentado ao mercado.

A Ânima, conforme fontes, têm negociado com um sindicato de bancos o financiamento dessa aquisição, mas as instituições financeiras não teriam se comprometido até aqui com os recursos. A Ânima não se pronunciou oficialmente ainda sobre se foi comunicada ou não pela Laureate como vencedora do processo.

Procurada, a Ser informou que manteria, neste momento, o pronunciamento publicado em fato relevante. A Ânima não comentou até o fechamento desta edição.

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