Será difícil reduzir o déficit comercial da indústria

O déficit comercial da indústria (diferença entre importações e exportações) aumentou de US$ 14,3 bilhões, em 2008, para US$ 16,4 bilhões, em 2009, chegando a US$ 36,9 bilhões em 2010 - 125% a mais num único ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A perda de competitividade dos manufaturados brasileiros foi rápida e não há, a curto e médio prazos, perspectivas de reversão da tendência.

, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Não faltam explicações para a deterioração da balança comercial da indústria: no segmento siderúrgico, por exemplo, as importações aumentaram 84% entre 2008 e 2010 por causa da alta dos investimentos, segundo o jornal Valor. No setor químico, petroquímico e farmacêutico, a evolução das compras externas foi de 29,8%, por causa da alta dos preços do petróleo e à demanda de matérias-primas e medicações não produzidas no País. As importações de eletroeletrônicos e informática avançaram 15,7% em decorrência da mudança de comportamento do consumidor, que demanda bens tecnologicamente sofisticados.

Até a indústria de média e baixa tecnologia apresentou déficit no comércio, mostrou matéria de Raquel Landim, no Estado.

A valorização do real é a causa principal da tendência, pois estimula a aquisição de bens importados, como veículos. Nesse segmento, incluídas máquinas agrícolas e motos, a importação foi 10% maior e o câmbio foi um fator decisivo para o consumidor.

Novas empresas ascenderam ao ranking das maiores importadoras, como a petroquímica Braskem (que ocupava a 27.ª posição, em 2008, e passou à segunda posição, no ano passado); as siderúrgicas Arcelormittal, do 127.º para o 17.º lugar; a Thyssenkrupp CSA, do 106.º para o 15.º posto; e a Fiat, da 28.ª para a 13.ª posição.

"O Brasil começou a importar todo o espectro de produtos", notou a pesquisadora do Ibre Lia Valls. E o receituário para aumentar a competitividade das exportações é conhecido, incluindo investimentos em infraestrutura para reduzir o custo de logística, desoneração tributária da produção e acerto de contas com exportadores beneficiados por incentivos fiscais, mas que não receberam a compensação, além de juros compatíveis com os praticados no exterior. O governo sabe o que fazer - por exemplo, o ministro Fernando Pimentel estuda criar incentivos para enfrentar a concorrência chinesa. Mas, até agora, pouco foi feito: a infraestrutura é ruim e predominou o temor de desonerar a exportação e perder receita. A melhor notícia é o reconhecimento da gravidade do problema.

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