"Será melhor assinar a Alca", adverte representante dos EUA

O vice-representante de Comércio dos Estados Unidos, Peter Allgeier, disse hoje, em tom de advertência, que os 34 países que farão parte da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) estão entrando no momento crucial das negociações e que, ao final desse processo, "será melhor assinarem o acordo do que não fazê-lo".Em teleconferência durante a 21ª Reunião Plenária do Conselho Empresarial Brasil Estados Unidos, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Allgeier alertou para a necessidade de os países apresentarem as suas ofertas de acesso aos mercados e da tarifa básica, já que os Estados Unidos enviaram essas propostas no dia 16 do mês passado.Pelo cronograma já aprovado, considerado rígido demais por alguns governos, os 34 países terão de apresentar até o dia 15 de dezembro deste ano a proposta de tarifa básica e a sua lista de produtos que entrarão na redução tarifária. Vale lembrar, no entanto, que haverá ainda um prazo de confirmação dessas propostas, que se estenderá do dia 15 de fevereiro até o dia 15 de abril do próximo ano. Isto é, a tarefa no Brasil ficará por conta do próximo governo, independentemente de quem vença as eleições. "As negociações, de fato, começarão em abril", disse também em teleconferência o embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa.O funcionário do governo norte-americano lembrou ainda que o Brasil e os EUA terão, a partir de novembro deste ano, quando assumem a co-presidência da Alca, grande responsabilidade de levar as negociações do bloco hemisférico até o fim, previsto para dezembro de 2004. "Os EUA, como o um dos grandes o players do comércio internacional, junto ao Brasil, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) como na Alca, estão comprometidos com o cumprimento da agenda", afirmou.Allgeier lembrou também aos mais de 200 empresários que participaram do evento da CNI, que os EUA propuseram recentemente eliminar, em cinco anos, os subsídios às exportações agrícolas, a redução de tarifas de importação até em limite máximo de 25% e a redução drástica de apoio direto à agricultura em mais de US$ 100 bilhões no mundo todo. "Queremos o apoio do Brasil e do Grupo de Cairns a essas propostas no âmbito da OMC", pediu o funcionário. Embora a proposta norte-americana para o setor agrícola tenha encontrado forte resistência dos países europeus e do Japão, o embaixador Rubens Barbosa disse que o Brasil deveria apoiar os EUA, que recentemente ampliaram para US$ 190 bilhões, em um período de dez anos, os subsídios ao setor.O embaixador explicou que as negociações agrícolas, tanto na OMC como na Alca, são as mais complexas e difíceis que se encontra sobre a mesa. No âmbito multilateral, onde as negociações vêm avançando de forma muito lenta e insatisfatória, alertou o embaixador, "corremos o risco de uma repetição do que ocorreu ao final da Rodada Uruguai do Gatt". Na ocasião (1994), os Estados Unidos e a União Européia, mesmo tendo posições contrárias, acabaram fechando um acordo na calada da noite em detrimento de todos os países em desenvolvimento.Por isso, acrescentou Barbosa, "conciliar posições, tanto na Alca como na OMC, vai exigir um grande trabalho político e habilidade diplomática dos países".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.