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Será que dá para bater o mercado?

Há fundos que sistematicamente têm desempenho superior ao mercado

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2020 | 05h00

Uma das discussões mais importantes na teoria de finanças é sobre a eficiência do mercado de capitais. Um mercado é considerado eficiente se os preços dos títulos refletirem imediatamente todas as informações publicamente disponíveis.

Em outros termos, o preço da ação reflete tudo o que se sabe da empresa e de suas perspectivas futuras, acrescida das informações sobre o setor em que atua e a situação da economia. Qualquer novidade provoca efeitos imediatos e o preço é corrigido para baixo ou para cima.

Essa teoria foi desenvolvida na década de 1970 por Eugene Fama, prêmio Nobel de economia em 2013. Com base nesse raciocínio não há como alguém bater o mercado com base nas informações publicamente disponíveis.

Isso somente seria possível se for utilizada de informações não publicamente disponível, ou seja, de informação privilegiada. Mas, esse tipo de prática é considerado ilegal e dá cadeia.

No Brasil, tivemos o caso do empresário Wesley Batista, da JBS, que foi a primeira prisão realizada no País por esse tipo de crime. Ele vendeu ações da JBS – uma das maiores empresas do setor de carnes no País – antes do vazamento da delação dos controladores da empresa em investigações da Operação Lava Jato e evitou um prejuízo potencial de R$ 138 milhões aos irmãos Batista.

No entanto, agora como estamos convivendo com taxas de juros reais negativos até mesmo aquele investidor mais conservador, que sempre esteve na renda fixa, tem buscado a renda variável e fica se perguntando como realizar ganhos se ninguém bate o mercado.

Nesse caso a saída é montar uma carteira que espelhe um índice e manter uma estratégia passiva? Não necessariamente.

A despeito da narrativa teórica ser consistente e verdadeira observando-se a média de mercado, podem ser verificadas exceções.

Sem querer criar nova teoria sobre esse tema, o fato é que há fundos que sistematicamente têm desempenho superior ao mercado, basta verificar o seu histórico de rentabilidade.

Apenas para exemplificar o Fundo Tempo Capital Manacá do ano de 2000 até final de julho apresenta um retorno acumulado superior a 11.000%, sendo que o Ibovespa no mesmo período acumula ganhos de perto de 274%.

Não se pode atribuir a esse desempenho o fator sorte, o ganho se deve a uma eficiente gestão da carteira. Há outros exemplos. Obviamente, pode ser discutido o recorte temporal e outras questões técnicas, mas que há ganhos superiores possíveis fica claro.

Em troca de conversas com o professor William Eid, da Fundação Getulio Vargas (FGV), além dessa questão de ganhos efetivos de certos fundos ele mencionou que tem realizado levantamentos com mais de 800 investidores sobre o que é considerado risco.

A pesquisa indica que o risco relevante é o de perder parte do principal de forma permanente. Sendo que 50% dos pesquisados não estão preocupados com a volatilidade de mercado.

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