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Será que estamos usando todas as possibilidades para diversificar nossos investimentos?

Na prática, não existe hedge perfeito, aquela composição de carteira que a torna blindada a qualquer movimento inesperado de mercado

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2022 | 04h00

A diversificação dos investimentos é uma máxima do mundo de finanças. Tanto que é comum as instituições financeiras sugerirem como devemos diversificar nossos investimentos. Por vezes com base em um histórico limitado, são indicados porcentuais fixos para cada fatia dos recursos. Embora essa proposta possa ter alguma qualidade, em muitos casos se trata apenas de um roteiro inacabado que pode levar a uma falsa segurança em relação à nossa carteira. 

Conheço casos em que o consultor insiste para que sejam observados os porcentuais indicados pela instituição, mas esquece de perguntar quais os objetivos financeiros de seu cliente e, sequer, quais os outros investimentos componentes de sua carteira total. Obviamente, eu não estou sugerindo que todas as instituições têm práticas como essa. Mas estou afirmando que isto existe no mercado. 

Por falha humana, por interesse comercial ou por falta de conhecimento podem acontecer recomendações péssimas. Diversificar exige que sejam considerados todos os objetivos do investidor, todo o volume de recursos disponível para aplicação, outros bens e o grau de tolerância a risco da pessoa. 

Com base em todas as informações podem ser criadas fatias considerando o prazo e a importância em relação a cada objetivo do investidor. A premissa é que, quanto menor o prazo e maior a importância, menos risco deve ser corrido. Outra questão surge: será que estamos realmente usando de todas as possibilidades de diversificar nossos investimentos? Há alguns indicativos de que isto não ocorre no geral. É comum a indicação em renda fixa e ações, mas muito pouco sobre as commodities, um grupo de ativos usualmente negligenciado. 

Commodities são dezenas de produtos diferentes, e cada um tem os seus preços afetados conforme a sua própria oferta e demanda, apresentando baixa correlação com outros ativos. Isso os torna atraentes para a diversificação de portfólio. As commodities mais negociadas são os metais preciosos (ouro, prata, platina etc), petróleo, gás natural e produtos agrícolas, entre outros. O investimento pode ocorrer com a compra de mercadorias, ações das empresas ligadas ao ativo, nacionais ou internacionais, fundos e até em projetos por meio de crowdfunding. Investir em commodities pode aumentar a diversificação da carteira, mas considere a possibilidade de diversificação ampla sem a exposição a esse tipo de ativo. Busque conhecer os ativos e entender os riscos e as recompensas de cada alternativa. Uma outra máxima importante: não existe hedge perfeito na prática, aquele tipo de composição de carteira que a torna blindada a qualquer movimento inesperado de mercado. 

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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