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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

''''Seria uma boa idéia se origem fosse poupança''''

Nada de medidas cambiais ou fundo soberano. Só o corte de gastos públicos poderia conter a queda do dólar. A opinião é do economista-chefe para América Latina do ABN Amro Bank e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman. "Mas isso não vai acontecer", salientou. Schwartsman é crítico da idéia de criação do fundo soberano e um descrente em relação a futuras medidas cambiais que possam ser adotadas. Para ele, desde 1994 não existem mudanças na política econômica. "Desde o governo FHC (Fernando Henrique Cardoso), o gasto (público) está em permanente crescimento", disse, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, serviço da Agência Estado. O economista destacou ainda que as intervenções do Banco Central somam até agora mais de US$ 70 bilhões e, no entanto, essa atuação não foi suficiente para conter a desvalorização do dólar. "Por que US$ 10 bilhões (do fundo) fariam a diferença?", questionou. O ex-diretor do BC também não acha que o governo está no caminho certo ao querer fazer um fundo onde os recursos seriam usados para investimentos em infra-estrutura. Para Schwartsman, o fundo seria uma boa opção se fosse proveniente de poupança fiscal, como os ganhos "extraordinários" da arrecadação, e se os recursos fossem para ativos de companhias com correlação negativa para o Brasil, ou seja, "empresas que vão bem quando o Brasil está mal", e não em empresas que podem ir mal quando o Brasil estiver exposto a choques externos. Ele ainda comentou que as mudanças no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com a substituição de diretores e exclusão de alguns economistas, em nada sinalizam mudanças na política econômica. "O Ipea jamais apitou sobre política econômica."GUSTAVO FRANCOAs discussões sobre a criação do fundo soberano de investimentos envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não são bem vistas pelo sócio da Rio Bravo, conselheiro da BM&F, ex-diretor e ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. "Vejo com muita apreensão as ambições do BNDES, isso é sério."Segundo ele, esse tipo de proposta, envolvendo recursos de segurança soberana para a infra-estrutura, não tem cabimento e deve ser descartada liminarmente. "Seria um erro. Duvido que o Banco Central veja com bons olhos esse tipo de coisa", acrescentou.

Luciana Xavier e Célia Froufe, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2007 | 00h00

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