Seriam oportunas as iniciativas para moderar subsídios no crédito, diz ata

BC não especificou quais subsídios deseja que sejam retirados, mas vale lembrar que um grande volume está concentrado nos financiamentos do BNDES

Fabio Graner e Célia Froufe, da Agência Estado,

28 de abril de 2011 | 10h11

O Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou na ata de sua última reunião que "considera oportuna a introdução de iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito". A autoridade monetária não especificou quais subsídios ela deseja que sejam retirados, mas vale lembrar que um grande volume está concentrado nos financiamentos do BNDES às empresas.

De acordo com a ata do Copom, o cenário central contempla moderação no ritmo de crescimento do mercado de crédito, "para a qual contribuem ações macroprudenciais e ações convencionais de política monetária recentemente adotadas".

IPCA

A ata do Copom, divulgada na manhã de hoje, trouxe que a diretoria colegiada do Banco Central entende que, a partir do quarto trimestre, o cenário central indica tendência declinante para a inflação acumulada em doze meses. Isso significa, conforme o documento, que o indicador se deslocará na direção da trajetória de metas.

Os diretores do Comitê preveem dois momentos distintos para a trajetória de inflação, segundo o cenário central para 2011. Para eles, neste trimestre e no seguinte, a inflação acumulada em doze meses tende a permanecer em patamares similares ou mesmo superiores àquele observado no primeiro trimestre.

Isso, em grande parte, explica-se , conforme a ata, pelo conjunto de alguns itens: elevada inércia trazida de 2010, duração de choques que atingiram a economia no final do ano passado, que se estenderam para o primeiro trimestre deste ano, e pelo fato de as projeções de inflação, contrastando com o observado em 2010, apontarem taxas de inflação próximas ao padrão histórico no trimestre de junho a agosto de 2011.

O Copom reafirmou no documento que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. "Importa destacar que a geração de superávits primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto." O BC destacou ainda que, desde o início deste ano, importantes decisões foram tomadas e executadas e reforçam a visão de que está em curso um processo de consolidação fiscal.

Exterior

A trajetória dos índices de preços mostra clara disseminação de pressões inflacionárias nas principais economias do mundo, segundo análise feita pela diretoria do Banco Central por meio da ata do Copom, divulgada na manhã de hoje. No documento, o Comitê observou que, nos mercados internacionais, a volatilidade e a aversão ao risco se elevaram desde sua última reunião, em grande parte, alimentadas por extraordinários níveis de liquidez global e por desenvolvimentos adversos no âmbito geopolítico.

Nesse período, conforme o documento, mantiveram-se altas as preocupações com dívidas de países e de bancos europeus e com a possibilidade de desaceleração na China. O BC também salientou que foi observado um recuo nos preços de importantes commodities, notadamente agrícolas. Ao mesmo tempo, destacou a autoridade monetária, foi verificada a depreciação da moeda norte americana. "De modo geral, as perspectivas para o financiamento externo da economia brasileira seguem favoráveis", trouxe o texto.

Recuperação mundial

O Banco Central identificou sinais de moderação da atividade mundial, conforme a ata da reunião do Copom da semana passada, divulgada na manhã de hoje. "A recuperação da economia global segue em velocidades distintas e com pressões inflacionárias assimétricas. Há evidência, entretanto, de moderação da atividade na margem", disseram os diretores do Comitê no documento, citando a tragédia no Japão, as incertezas sobre o mercado de trabalho americano, e as pressões sobre os preços internacionais do petróleo.

A ata salientou indicações de continuidade da recuperação mundial em fevereiro, mas com certa moderação em países emergentes, conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Citou também comportamento de índices de preços para a economia global mostrando que o nível de atividade na indústria e no setor de serviços recuou em março. A avaliação dos diretores é a de que esses indicadores revelam menor dinamismo nos Estados Unidos, mas não chegam a comprometer a tendência positiva, o crescimento moderado nos principais países emergentes e o efeito negativo da tragédia sobre a economia japonesa.

A diretoria também observou que as perspectivas macroeconômicas para a Zona do Euro continuam assimétricas. Segundo os membros do Copom, persistem dúvidas quanto à solvência de algumas economias periféricas, ao mesmo tempo em que o ritmo da expansão continua forte na Alemanha. "Cabe ressaltar que decisões importantes sobre mecanismos permanentes de auxílio para economias em dificuldades na Zona do Euro foram adiadas para junho deste ano."

A ata do Copom lembra também que o Banco Central Europeu (BCE) aumentou sua taxa básica, enquanto os demais países centrais, e, em particular, os EUA, continuaram com os juros inalterados. Nos países emergentes, avaliam os diretores do Comitê, observam-se pressões inflacionárias na Ásia e no Leste Europeu, com destaque para Índia, Rússia e China. "Nesse sentido, desde a última reunião houve aperto das condições monetárias em diversas economias emergentes",observou o documento.

Petróleo

A diretoria do BC salientou ainda que o preço do barril de petróleo do tipo Brent subiu desde a última reunião do Copom e ultrapassou a marca dos US$ 120, embora apresente alguma acomodação na margem. Essa alta, segundo o grupo, é consistente com um quadro de aparente fortalecimento da demanda global e de elevada instabilidade política em alguns países do Oriente Médio e, especialmente, do norte da África.

"Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e da dependência do crescimento da oferta de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco."

 

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