Serra: alta do juro deve prejudicar conta corrente

O governador de São Paulo, José Serra, afirmou hoje que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de aumentar a taxa básica de juros (Selic) em meio ponto percentual deverá agravar ainda mais a situação da conta corrente do balanço de pagamentos. "Nós em São Paulo e o Brasil inteiro estamos aguardando medidas que contrabalancem a deterioração da balança comercial e da conta corrente. E o aumento na taxa de juros irá agravar a situação", disse o governador, após participar de assinatura de contrato para a construção da primeira Unidade de Processamento de Plasma do País, no Instituto Butantã.Serra disse que a questão "número 1" de preocupação para aqueles que estão no comando da economia do País deveria ser justamente a adoção de medidas para resolver a situação da conta corrente no balanço de pagamentos. "O saldo em conta corrente já está negativo e vai se ampliar até o final do ano; segundo cálculos, a partir de agosto já vamos começar a ter déficits comerciais". Ele destacou que isso ocorrerá por mecanismos conhecidos, já que o real está valorizado com relação ao dólar, o que encarece as exportações e barateia as importações. E frisou: "E a medida de ontem (aumentar a taxa básica) não tem a ver com nenhuma solução para isso.Na avaliação do governador paulista, caso a área econômica do governo federal não adote medidas apara resolver essa questão, "haverá uma marcha negativa para a economia brasileira no futuro". Ele avalia que isso não deverá ocorrer no curto prazo, mas a médio e longo prazos. "Quando estamos na administração pública, devemos ter uma espécie de estrabismo, no sentido de ter um olho no presente e o outro no futuro", emendou.Serra disse também que os juros já tinham aumentado pela própria sinalização que o Banco Central havia dado ao mercado neste sentido. Ele observou ainda que o aumento na taxa básica de juros vai encarecer o serviço da dívida pública, sobretudo no que se refere aos títulos pós-fixados. "Isso aumentará o custo e não será nada menos do que R$ 2 bilhões ao ano, daí para cima", complementou.

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