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Serra catarinense entra no mapa das regiões produtoras

Já são 80 produtores de uvas e 32 vinícolas; em 4 anos, produção local saltou de 15 mil para 600 mil garrafas

Marianna Aragão, SÃO JOAQUIM (SC), O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 00h00

A nova safra de produtores de vinhos finos está ajudando a demarcar um novo mapa da indústria nacional. A Serra Gaúcha, que concentra as maiores e mais tradicionais empresas do País, agora divide espaço com regiões como as cidades de altitude elevada em Santa Catarina e as terras de campanha gaúchas, próximas à fronteira com o Uruguai. "Nos últimos 15 anos, o terroir brasileiro vem sendo estudado cada vez mais. Com isso, novas regiões produtoras estão sendo descobertas", afirma o gerente de marketing do Instituto Brasileiro do Vinho, Diego Bertolini.A serra catarinense tem atraído boa parte dos novos empreendimentos. Segundo a Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude (Acavitis), existem hoje cerca de 80 produtores de uvas na região e 32 vinícolas, mas apenas 13 estão em plena operação. A produção local saltou de 15 mil garrafas, em 2004, para 600 mil, no ano passado. Segundo Maurício Grando, dono da vinícola Villaggio Grando e presidente da Acavitis, este ano deve ser fabricado 1,5 milhão de garrafas de vinho. Tradicional produtora de maçãs, a pequena São Joaquim começa a mudar com a chegada dos empreendedores. "As terras já se valorizaram 300% nos últimos três anos", diz Grando. Pioneira na região, a Villa Francioni está capitaneando o movimento de enoturismo. No mês de julho, a média de visitas chegou a mil pessoas por semana, conta Daniela de Freitas, presidente do conselho da empresa.O governo estadual também está incentivando o setor. Há duas semanas, o governador Luiz Henrique da Silveira assinou um decreto reduzindo de 25% para 3% a alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de vinhos produzidos no Estado.Para Luiz Horta, editor-assistente do caderno de gastronomia Paladar, do Estado, a altitude em que estão localizadas as terras é a principal aliada dos produtores da região. Essa característica, explica ele, traz boa acidez e um nível alcoólico menos elevado, já que as baixas temperaturas permitem a maturação adequada das uvas. "É uma das regiões mais interessantes e promissoras do País." Os investimentos recentes em vinhos finos estão ajudando a mudar a imagem do vinho brasileiro no exterior. "Com qualidade e preços simpáticos, os vinhos nacionais podem ser bons substitutos dos chilenos e argentinos", diz Horta.Embora em menor número, empreendimentos vinícolas no interior de São Paulo e no sul de Minas Gerais também têm despontado no novo desenho da vitivinicultura. Em São Carlos, a 230 quilômetros da capital paulista, o empresário Victor Bonucci, ex-executivo da Alpargatas, investiu R$ 1,5 milhão numa vinícola própria. Segundo ele, a região reúne condições de altitude, drenagem de solo e exposição ao sol favoráveis à produção das uvas.

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