Serra contesta estudo sobre política fiscal de SP

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), descartou hoje qualquer semelhança entre a política fiscal praticada pela administração estadual e pelo governo federal. O tucano rebateu as conclusões do estudo "A Fria Realidade dos Números", feito pelo Banco Santander e divulgado pela imprensa na semana passada. Segundo a análise, apesar de tentar mostrar austeridade nos gastos, Serra estaria executando no Estado uma política fiscal parecida com a do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, criticada pelo crescente aumento das despesas.

CAROLINA FREITAS, Agencia Estado

18 de fevereiro de 2010 | 15h23

Questionado se concordava com a possível semelhança, Serra respondeu: "Claro que não." Para o governador, o estudo feito pelo economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, traz "dados fajutos" a respeito de São Paulo. "Não concordo (com a comparação). E não é só não concordar, os dados publicados na semana passada são fajutos. Não é um problema de opinião", afirmou, após inaugurar um restaurante popular na zona norte da capital paulista.

Serra defendeu que "nunca se investiu tanto em São Paulo". "A política fiscal foi bem. Houve um crescimento muito forte dos investimentos e um controle muito forte dos gastos correntes", disse. O governador evitou citar as diferenças que vê entre a gestão fiscal do Estado e da União, mas recomendou a leitura do artigo "A Serra o que é de Serra", do economista Roberto Macedo, publicado na edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo. "O artigo do Roberto Macedo mostra uma das diferenças", disse o tucano.

No texto, o economista defende que "Serra é fiscalmente mais firme do que Lula". Para Macedo, o presidente é um "gastador por convicção" e "baita empregador", enquanto o governador paulista "enfrenta uma crônica carência de recursos" e "toca um enorme programa de obras".

O secretário estadual da Fazenda, Mauro Ricardo, divulgou ontem nota técnica apontando "erros grosseiros" na análise do banco. Segundo o secretário, o estudo ignorou uma mudança na contabilidade pública de São Paulo, feita em 2007. Naquele ano, foi criada a São Paulo Previdência (SPPREV), que mudou a forma de contabilizar os encargos previdenciários do Estado. De acordo com Mauro Ricardo, desconsiderar esse fato levaria a uma dupla contagem das despesas.

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