Serra culpa Petrobras por reajuste de gás natural em SP

Para ele, a decisão dificulta a situação do setor industrial e não contribui no combate aos efeitos da crise

23 de dezembro de 2008 | 17h21

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), criticou o anúncio de reajuste extraordinário de gás natural cobradas pela Comgás e culpou a Petrobras pelo aumento das tarifas. Para ele, a decisão dificulta a situação do setor industrial e não contribui no combate aos efeitos da crise financeira internacional.   Veja também: Arsesp autoriza reajustes de até 24,8% no preço do gás em SP    "Não ajuda a enfrentar a crise, pelo contrário, pode provocar mais desemprego, dificuldades para as empresas e também aumento da inflação", afirmou Serra, após participar da cerimônia de assinatura de contratos de gestão das Organizações Sociais de Saúde, em um Ambulatório Médico de Especialidades (AME), no centro da capital paulista.   Segundo o governador, o reajuste do gás atua como uma forma de pressão de alta sobre os preços. "Aí, depois vem o Banco Central e diz que não pode baixar os juros porque a inflação subiu ou a inflação não caiu. Isso, nesse aspecto, está relacionado com a política de preços da Petrobras", disse.   Ele afirmou que a Petrobras cobra pelo gás boliviano a partir de um preço correspondente a US$ 110 o barril do petróleo. "O barril do petróleo hoje custa menos de US$ 40 e a Petrobras continua cobrando US$ 110", disse Serra. Segundo ele, a Petrobras "alega que esse é um contrato com a Bolívia, mas é um contrato muito ruim". "Não devia ter sido feito assim nem renovado dessa maneira", criticou.   Diante deste cenário, Serra vê como inevitável o reajuste do gás. "A Petrobras não diminuiu o preço, apesar de o preço (do petróleo) ser duas vezes e meia menor." O governador ressaltou, entretanto, que a desvalorização do real também pesou para o reajuste.   Segundo informou a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) ontem (22), o aumento será exclusivo para os segmentos industrial, comercial e veicular.   Na classe industrial, o aumento foi de 10,25% para clientes com faixa de consumo de 10 mil metros cúbicos por mês, de 14,67% para a faixa de 100 mil m3/mês e de 17,56% para a faixa de 500 mil m3/mês. No segmento comercial, a alta foi de 6,29% para a faixa de consumo de 100 m3/mês e 7,76% para a faixa de 1 mil m3/mês. Para o gás natural veicular (GNV), o incremento concedido foi de 22,17%.

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