Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Serra sobre taxa de juros: BC tem conhecimento insuficiente

Durante Fórum, governador de SP criticou o órgão por não ter diminuido antes a taxa, mas descarta má fé do BC

Andréia Sadi, do estadao.com.br

11 de maio de 2009 | 15h53

O governador de São Paulo, José Serra, criticou nesta segunda-feira, 11, a demora do Banco Central em reduzir a taxa de juros com o agravamento da crise financeira mundial, mas descartou má-fé na atuação do órgão. Para Serra, o  BC age corretamente no momento atual mas desperdiçou a chance de reduzir "de uma vez só em 300 ou 400 basis points (3 a 4 pontos percentuais)" quando no auge da crise. 

 

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"Foi um erro da política econômica, insuficiente conhecimento da economia, não é má fé. Eu acho que é problema estritamente de conhecimento de variadas econômicas e de receios. Ninguém quer errar e sem querer errar acaba errando", afirmou em entrevista coletiva após participar do Fórum da revista Exame, no hotel Unique, em São Paulo.  

 

 

Na última decisão, em 29 de abril, o Copom reduziu a Selic para 10,25% ao ano. Com o terceiro corte seguido, a Selic cai ao nível mais baixo desde a adoção do juro básico em base anual, no fim de 1997. Nesse período, o Brasil conviveu com juros que chegaram a 45%, em março de 1999, após a maxidesvalorização do real no início daquele ano.

 

O ex-ministro da Fazenda e economista Antonio Delfim Netto também não poupou o Banco Central. "BC sempre agiu na direção certa, mas sempre com sete meses de atraso e em doses homeopáticas. Nunca foi capaz de usar sua musculatura para que pudéssemos enfrentar a crise com mais sucesso".

 

 

O governador comparou o efeito da atuação do Banco Central ao esquema especulativo de pirâmide (no qual o rendimento dos investidores mais antigos é pago pelos recursos dos investidores mais recentes) criado pelo imigrante italiano Carlo Ponzi durante os anos 1920 nos Estados Unidos. "Eu tenho um câmbio que não me remunera como exportador, antecipo a entrada de dólar, aplico na maior taxa de juros do mundo, compro dólar mais barato e saio ganhando, numa cadeia da felicidade, uma espécie de efeito Ponzi caboclo."

 

Para o governador, a crise teve como consequência positiva a desaceleração cambial sem inflação, "que tanto atemorizava". 

 

Ele citou números de investimentos do Estado de São Paulo e disse que recursos federais não têm a mesma capacidade. "De 70% a 80% do investimento governamental produtivo é feito por estados e municípios, mas (foi comprometido) com o corte de receita de transferência e queda da receita própria." Segundo Serra, nunca houve tantas obras simultâneas no Estado de São Paulo.

 

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT a sucessão de Lula em 2010, foi convidada para participar do evento, mas não compareceu. Faziam parte da audiência de Serra os economistas ganhadores do Prêmio Nobel Edward Prescott e Robert Mundell.

 

Eleições 2010

 

Serra disse que iria falar como governador e economista e negou postura como eventual candidato em 2010.  "Eu estou concentrado no governo de São Paulo e não em ser candidato à Presidência no ano que vem. Embora o presidente, os partidos e a imprensa me considerem, eu não assumi e vou me eximir de falar nessa condição", afirmou, em discurso.

 

(Com Carolina Freitas, da Agência Estado)

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