Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

Serviço de aviação 'vip' da família Klein já pode voar

Empresa, criada para aproveitar aeronaves anteriormente usadas por executivos da Casas Bahia, recebeu autorização da Anac para operar

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2015 | 02h05

A CBair, empresa de aviação executiva da família Klein, acaba de receber a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para começar a voar. Criada em 2012 a partir de aeronaves e hangares anteriormente usados pela Casas Bahia, a empresa já recebeu investimentos de R$ 28 milhões. À frente do negócio está o empresário Michael Klein, que já cita antigos concorrentes, como as varejistas Máquina de Vendas e Magazine Luiza, como potenciais clientes de sua nova empresa.

O foco de Klein é oferecer um serviço VIP de transporte aéreo para executivos de grandes empresas pelo Brasil e exterior. "Diversas companhias, como o Magazine Luiza ou a Máquina de Vendas, ainda precisam que seus executivos se desloquem rapidamente pelo Brasil", disse Klein. "Criamos uma estrutura própria para fazer isso na Casas Bahia no passado, mas hoje a tendência nas empresas é de desinvestimento nesses ativos e contratação de companhias especializadas em transporte aéreo."

A Casas Bahia, fundada por Samuel Klein, pai de Michael, montou uma estrutura para transporte aéreo há cerca de 20 anos para dar suporte ao plano de expansão da empresa por todo o Brasil. Os ativos de aviação que antigamente estavam a serviço da Casas Bahia não entraram na fusão da empresa com o Grupo Pão de Açúcar, anunciada em 2009.

Os hangares e as aeronaves foram incorporados ao grupo CB, que reúne os negócios da família Klein. O grupo também é dono de uma gestora de ativos imobiliários, com cerca de 400 imóveis na carteira.

Estrutura. A CBair nasce com três helicópteros e quatro aviões na sua frota. No momento, só um dos helicópteros pode fazer voos fretados. As demais aeronaves já pertencem à empresa, mas dependem de homologação da Anac para entrar em operação.

A frota pode ficar ainda maior. Klein também quer administrar aeronaves de terceiros (em geral, de empresas interessadas em terceirizar a gestão de seus aviões) e negocia a compra de dois jatos Phenom 300 da Embraer. No plano de negócios da empresa, a meta é atingir um faturamento de R$ 18 milhões no primeiro ano.

Além dos aviões, a CBair também tem hangares nos aeroportos de Sorocaba e Campo de Marte e dois helipontos em Alphaville e São Caetano do Sul. A empresa também estuda a possibilidade de manter hangares no Rio, em Jundiaí e em São Roque, no aeroporto de aviação executiva em construção pela incorporadora JHSF.

Concorrência. Com a CBair, a família Klein ingressa em um negócio de operação complexa e com alta concorrência. Os trâmites para conseguir o aval da Anac para lançar a empresa demoraram mais do que o esperado e inviabilizaram a oferta do serviço de fretamento durante a Copa do Mundo.

Hoje, quase 200 empresas oferecem o serviço de táxi aéreo no Brasil, segundo dados de janeiro da Anac. A maioria delas é de pequeno porte e atua regionalmente com serviços que variam de fretamento de aviões para executivos a UTI aérea e serviços para órgãos públicos como a Funai.

O setor não vive um bom momento, afirma Milton Arantes, presidente da Associação Brasileira de Táxis Aéreos (Abtaer), entidade que reúne cerca de 80 empresas do setor. "A regulação é muito pesada, existe uma concorrência desleal com os táxis aéreos piratas e a alta do dólar prejudica o setor. Nosso custo é em dólar, mas a receita é em real", disse Arantes.

A empresa de Klein será focada no segmento executivo e pretende oferecer um "serviço VIP" para os clientes, com atendimento personalizado. Nesse segmento, a CBair deve enfrentar concorrentes maiores e com mais tradição nesse mercado. A Líder Aviação, por exemplo, está no ramo há 56 anos e soma100 aeronaves para fretamento e 23 bases operacionais. Outra concorrente de peso é a Global Aviation, empresa criada a partir da fusão de outras três companhias e que tem 30 aeronaves para fretamento.

Klein, no entanto, não vê as empresas como concorrentes. "Quero fazer parceria com eles para melhorar o aproveitamento das aeronaves."

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