Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Volume de serviços prestados sobe 0,2% em abril ante março, diz IBGE

Na comparação com abril do ano anterior, houve alta de 9,4% em abril de 2022 

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2022 | 09h23
Atualizado 14 de junho de 2022 | 14h09

RIO - O setor de serviços mostrou perda de fôlego em abril, mas se manteve em território positivo. O volume de serviços prestados teve ligeiro crescimento de 0,2% em relação a março, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apenas duas das cinco atividades pesquisadas registraram expansão: informação e comunicação (0,7%) e serviços prestados às famílias (1,9%). Na direção oposta, houve perdas em transportes (-1,7%), serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,6%) e outros serviços (-1,6%).

O resultado fez a XP Investimentos reduzir a projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, de uma alta de 0,6% para 0,5%.

“A PMS [Pesquisa Mensal de Serviços] trouxe sinais mistos. Do lado positivo, é uma expansão em cima de uma base de comparação bem forte, de 1,4% em março. É um setor que segue crescendo na ponta, mas gradualmente perdendo fôlego”, analisou o economista da XP Rodolfo Margato.

A XP estima, por ora, um avanço de 0,6% nos serviços em maio, com o maior impacto das medidas do governo de estímulo ao consumo, como a liberação de saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a antecipação do décimo terceiro salário para aposentados e pensionistas do INSS, que também tendem a beneficiar o setor no mês de junho. Já o atual repique de casos da covid-19 não deve produzir efeitos relevantes sobre a atividade, prevê Margato. “Se houver impacto, é limitado. Não será um cenário complicado como o de janeiro”, afirmou.

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, também espera um segundo trimestre ainda aquecido, seguido por perda de fôlego no segundo semestre deste ano.

“Nossa projeção é de que a economia comece a desacelerar a partir do segundo semestre por conta dos efeitos da política monetária contracionista, que serão sentidos mais fortemente daqui para a frente, além da própria desaceleração da economia global”, disse Moreno, em nota, que prevê crescimento de 1,5% no PIB de 2022.

Para Thiago Xavier, analista da Tendências Consultoria Integrada, os dados do IBGE reforçam a expectativa de crescimento moderado da economia no segundo trimestre, calcada na expansão dos serviços, em especial presenciais. Ele ressalta que os serviços prestados às famílias têm sido beneficiados "por um conjunto de fatores positivos, embora a perspectiva seja de esgotamento desse processo nos próximos meses".

Na passagem de março para abril, os serviços prestados às famílias foram impulsionados pelo melhor desempenho de alimentação e alojamento, por conta da realização extraordinária da celebração do carnaval em algumas cidades, como o Rio de Janeiro.

“Algumas cidades deslocaram o carnaval de fevereiro para abril, isso trouxe alguma demanda adicional para a parte de hotelaria e alimentação, principalmente no Rio de Janeiro”, disse Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

Em abril, o setor de serviços como um todo operava em patamar 7,2% superior ao de fevereiro de 2020, antes do agravamento da crise sanitária no País. Em abril, os transportes estavam 16,3% acima do nível pré-pandemia, enquanto os serviços prestados às famílias ainda estavam 9,6% abaixo. Os serviços de informação e comunicação estavam 11,4% acima do pré-covid; o segmento de outros serviços, 0,7% aquém; e os serviços profissionais e administrativos, 5,0% acima.

A inflação elevada está prejudicando uma recuperação mais contundente do volume de serviços prestados às famílias no País, justificou Rodrigo Lobo.

“A alta de preços, como combustíveis, que temos visto, pode produzir um reordenamento de consumo de serviços”, confirmou Lobo. “Tem esse caráter negativo do processo inflacionário sobre o setor de serviços presencial”, completou.

Segundo o gerente do IBGE, os serviços prestados às empresas permanecem num ritmo mais sustentado de crescimento, mantendo a média do setor de serviços como um todo em patamar superior ao pré-pandemia. Já os serviços presenciais vêm pouco a pouco reduzindo seu déficit em relação ao pré-covid.

“Nos serviços prestados a empresas, não vejo nenhum tipo de pressão negativa que possa estar impedindo um crescimento mais acentuado. Tecnologia da informação construiu uma base de comparação extremamente elevada, transporte também”, ressaltou Lobo.

Apesar do bom desempenho na maioria das atividades ante o pré-covid, os serviços como um todo têm mostrado maior frequência de taxas negativas desde setembro de 2021, alternando altas e baixas.

“O ganho acumulado de 1,6% nos meses de março e abril é insuficiente para reverter a perda acumulada de 1,8% de janeiro e fevereiro”, frisou Lobo. “A gente vê claramente os serviços como um todo reduzindo seu ritmo de crescimento”, contou. (Colaborou Guilherme Bianchini)

 

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