Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Serviços avançam 2,6% em novembro, na sexta alta seguida

Crescimento de 19,2% acumulado em seis meses ainda não compensou as perdas de fevereiro a maio; setor está 3,2% abaixo do patamar pré-pandemia

Daniela Amorim e Gregory Prudenciano, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2021 | 09h33
Atualizado 13 de janeiro de 2021 | 14h23

RIO e SÃO PAULO - O setor de serviços manteve em novembro do ano passado a trajetória de recuperação, após o tombo decorrente da crise provocada pela pandemia de covid-19. O volume de serviços prestados cresceu 2,6% em relação a outubro de 2020, na série com ajuste sazonal, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quarta-feira, 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado, o sexto avanço seguido, superou as expectativas mais otimistas de analistas financeiros ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam uma expansão mediana de 1,0%.

A surpresa pode indicar que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 venha melhor do que o esperado, avalia o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito. Os serviços apurados na pesquisa do IBGE respondem por cerca de 30% do PIB brasileiro.

"Essa PMS é uma surpresa para os economistas e mostra que devemos ter um quarto trimestre muito bom. Dado que a PMS é muito relevante para o PIB brasileiro, talvez tenhamos um PIB até mais forte do que o esperado. Projetamos queda de 4,0% para o PIB de 2020, mas esse resultado coloca a projeção em viés de alta", afirmou Perfeito, embora considere a possibilidade de um resultado mais fraco em dezembro.

Segundo o economista, é possível que a demanda por serviços tenha sido antecipada para novembro, quando houve maior abertura da economia.

"O mercado esperava desaceleração na PMS de novembro e o mês foi na contramão disso. O fato de ter surpreendido em novembro acaba ampliando a expectativa de alguma retração na atividade econômica em dezembro e mesmo os serviços prestados às famílias devem ser afetados", corrobora o economista Mauricio Nakahodo, do Banco MUFG Brasil. "O cenário da pandemia piorou, houve uma intensificação forte de casos (de covid-19), algumas medidas de restrição foram aplicadas, o que afeta diretamente o setor de serviços."

De outubro para novembro, houve expansão em todas as cinco atividades de serviços: serviços prestados às famílias (8,2%), transportes (2,4%), serviços de informação e comunicação (0,5%), serviços profissionais, administrativos e complementares (2,5%) e outros serviços (0,5%). Em seis meses de crescimento, os serviços acumularam alta de 19,2%, mas ainda estão 3,2% abaixo do patamar de fevereiro.

De acordo com o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, o caráter presencial na prestação de alguns serviços ainda impede uma recuperação plena da atividade e o setor deve registrar em 2020 o pior desempenho anual da série histórica iniciada em 2011 pelo IBGE.

Os resultados anuais mostram que o setor exibe falta de fôlego desde 2015: 2012 (4,3%), 2013 (4,1%), 2014 (2,5%), 2015 (-3,6%), 2016 (-5,0%), 2017 (-2,8%), 2018 (0,0%), 2019 (1,0%).

“Cresceu por três anos, caiu por três anos, ficou praticamente estável por dois anos. Certamente a pandemia deteriorou ainda mais o cenário do setor de serviços, que já não mostrava grande dinamismo”, avaliou Lobo.

Novas medidas de restrição à circulação de pessoas, o retorno de trabalhadores ao trabalho remoto, eventual fechamento de estabelecimentos não essenciais e a própria curva de contágio da pandemia de covid-19 podem voltar a afetar a receita de empresas do setor nas próximas leituras, enumerou Rodrigo Lobo.

“Não é garantia de que essa sexta taxa positiva que a gente observa para o setor de serviços que esse cenário vá melhorar mês a mês. Tudo vai depender de medidas de restrição, do receio que as pessoas possam ter e fazer isolamento social. Certamente a questão sanitária vai funcionar como balizador do que vai acontecer em 2021 para o setor de serviços”, defendeu.

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