Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Serviços crescem pelo quinto mês seguido, mas não recuperam perdas causadas pela pandemia

Setor teve avanço de 1,7% em outubro ante setembro, mas recuou 7,4% na comparação com o mesmo mês de 2019, aponta o IBGE

Daniela Amorim e Cícero Cotrim , O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2020 | 09h26
Atualizado 14 de dezembro de 2020 | 19h55

RIO e SÃO PAULO - O volume de serviços prestados no País subiu 1,7% em outubro ante setembro, a quinta taxa positiva consecutiva, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados nesta sexta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Nos cinco meses de avanços, o segmento acumulou um ganho de 15,8%. Apesar da melhora, o setor ainda opera 6,1% abaixo do patamar de fevereiro, precisando crescer 6,5% para voltar ao nível pré-pandemia. 

Para o economista Helcio Takeda, da consultoria Pezco Economics, a recuperação do setor vai depender de uma solução para a pandemia de covid-19 que crie condições para a volta do consumo de atividades de lazer. Os serviços permanecem crescendo, mas a taxas cada vez mais baixas. "É nítida a perda de fôlego da atividade de serviços em ganhar velocidade no ritmo da recuperação, e essa velocidade, ou ausência dela, tem a ver com a falta de confiança em retomar a rotina diante da pandemia", afirmou.

O crescimento dos serviços em outubro corrobora a leitura de que a desaceleração da atividade econômica no quarto trimestre é menos brusca do que o previsto, opinou o economista Julio Cesar Barros, da gestora de recursos MAG Investimentos. Tanto a indústria quanto o comércio varejista já tinham mostrado expansão no período.

“Esperava-se que a atividade freasse de maneira mais brusca e, pelos dados, isso não tem ocorrido”, afirmou Barros, que admite um leve viés de alta na sua previsão de crescimento de 2,20% do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre.

O resultado para os serviços em outubro superou a expectativa mediana de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam alta de 1,20%. Quatro das cinco atividades de serviços registraram crescimento em relação a setembro: serviços de informação e comunicação (2,6%), transportes (1,5%), serviços prestados às famílias (4,6%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (0,8%). O único resultado negativo do mês foi do setor de outros serviços, queda de 3,5%.

De janeiro a outubro, os serviços já acumulam retração de 8,7%. A taxa em 12 meses recuou 6,8% em outubro, pior resultado da série histórica. O setor deve amargar em 2020 o pior desempenho anual da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em 2011 pelo IBGE.

“Os serviços provavelmente vão superar a queda de 2016 (-5,0%). O cenário de pandemia afeta mais os serviços do que qualquer outra atividade econômica. Muito provavelmente o setor de serviços, com esse acumulado de janeiro a outubro, encerrará o ano com a queda mais intensa da série histórica”, previu Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

Passada a fase mais aguda da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, a recuperação tem se dado de forma distinta entre as principais atividades econômicas, lembra Lobo.

“São três cenários distintos nos três setores: o comércio com recuperação mais rápida, a indústria mantendo alguma estabilidade, e os serviços aprofundando a queda”, ressaltou o pesquisador do IBGE.

Segundo ele, a recuperação na circulação de pessoas é lenta apesar da flexibilização das medidas de isolamento social. Embora tenha peso menor na pesquisa, o segmento de serviços prestados às famílias é o que enfrenta mais dificuldade de retornar ao pré-pandemia, ainda precisa crescer 47,6%. O segmento de transportes precisa avançar ainda 8,8%, e o de serviços profissionais, administrativos e complementares necessita avançar 12,8%.

Lobo calcula que o universo investigado pela PMS corresponda a cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) como um todo. Portanto, a dificuldade de normalização no nível de serviços prestados no País afeta diretamente o resultado das Contas Nacionais Trimestrais.

“O que a gente observa como dificuldade é esse caráter presencial para a prestação de serviços, como alojamento e alimentação, nos serviços prestados as famílias. Alguns ainda operam com limitações, não estão em plena capacidade. Algumas empresas de serviços fecharam, então há algum tipo de limitação de oferta também. E tem o transporte de passageiros também, seja rodoviário, aéreo”, enumerou Lobo. “Esse caráter presencial da prestação de alguns serviços funciona sim como limitador de uma recuperação mais rápida do setor de serviços e, de alguma forma, se reflete nas contas trimestrais”, confirmou. 

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