Tiago Queiroz/Estadão - 1/7/2021
Tiago Queiroz/Estadão - 1/7/2021

Serviços avançam 0,5% em agosto e alcançam nível mais alto desde 2015

Em cinco meses seguidos de crescimento, setor acumulou ganhos de 6,5%, segundo o IBGE; aumento no movimento dos aeroportos contribuiu para o resultado

Daniela Amorim e Guilherme Bianchini , O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2021 | 09h22
Atualizado 14 de outubro de 2021 | 14h20

RIO e SÃO PAULO - Em meio ao avanço da imunização da população contra a covid-19 e a melhora nos números da pandemia, o volume de serviços prestados no País teve uma expansão de 0,5% em agosto ante julho, no quinto mês consecutivo de crescimentos.

Com o resultado, o setor de serviços já opera 4,6% acima do nível de fevereiro de 2020, no pré-pandemia, além de ter alcançado o patamar mais elevado desde 2015, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados nesta quinta-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

 

"Continua sendo um dado bastante positivo, sobretudo nos que reagiram pior ao fechamento da economia, como os prestados às famílias, como hotelaria, restaurantes e turismo. Essa reação rápida dá a segurança de que a reabertura, de fato, está acontecendo", avaliou o economista Carlos Lopes, do Banco BV.

Lopes espera que o setor perca um pouco de fôlego nos próximos meses, mas ainda lidere a retomada da atividade econômica até o fim do ano. "Essa capacidade de crescimento ainda não foi esgotada", ressaltou o economista do Banco BV.

Quatro das cinco atividades de serviços registraram avanços em agosto ante julho: informação e comunicação (1,2%), transportes (1,1%), serviços prestados às famílias (4,1%) e outros serviços (1,5%). O único resultado negativo foi o de serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,4%).

 

A elevação no número de brasileiros vacinados e o aumento na mobilidade das pessoas entre as cidades brasileiras estão por trás do desempenho positivo, embora o volume de serviços prestados já estivesse impulsionado anteriormente pelos bons resultados dos setores de tecnologia da informação, transporte de cargas, logística e serviços financeiros, beneficiados por um aumento na demanda ao longo da crise sanitária.

“Tem esses dois movimentos, um deles reduzindo as perdas (dos serviços presenciais), outra parte um dinamismo, um aproveitamento das empresas que atuam em segmentos que não foram tão afetados pela pandemia e aproveitaram novas oportunidades ocasionadas pelo distanciamento social e pelo trabalho a distância”, apontou Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE.

Dos últimos 15 meses, na série com ajuste sazonal, a única queda no setor de serviços ocorreu em março de 2021, quando encolheu 3,0%. “Por conta da segunda onda do covid, que resultou nessa taxa negativa”, justificou Lobo.

Embora ainda esteja em trajetória de recuperação, o setor tem diminuído a magnitude de suas taxas de crescimento. “Não tem como saber se essa perda de fôlego vai continuar. A desaceleração do ritmo de crescimento ocorre em função dessa base de comparação alta que vem sendo construída dessa sequência de crescimentos desde junho de 2020”, explicou Rodrigo Lobo.

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, prevê uma queda de 0,4% nos serviços em setembro, devido a uma tendência de redução nos segmentos que já operam acima do nível pré-crise sanitária.

“Ainda espero que essa parte dos serviços às famílias siga retomando. Ainda deve encerrar o ano abaixo do pré-pandemia, mas tem espaço para continuar a recuperação”, avaliou Claudia. “Isso não quer dizer que os outros componentes não podem virar para baixo e contribuir negativamente para a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços). Ficamos mais preocupados com transportes, porque temos as questões de falta de insumos e ruptura das cadeias globais na indústria, principalmente no setor automotivo”, acrescentou.

Em agosto, os transportes operavam 8,1% acima do nível pré-pandemia; os serviços de informação e comunicação, 11,0% acima; e o segmento de outros serviços, 9,0% além. Já os serviços profissionais e administrativos estavam 0,2% abaixo do pré-covid, enquanto os serviços prestados às famílias ainda estavam 17,4% aquém.

“Há capacidade ociosa, há oportunidade de crescimento para a receita das empresas que atuam nesse segmento (de serviços prestados às famílias)”, afirmou Rodrigo Lobo, do IBGE. “Pode ser que essa recuperação dos serviços de caráter presencial encontre algum tipo de limitador”, ponderou ele, lembrando as dificuldades ainda existentes para a melhora do emprego e o avanço da renda da população no mercado de trabalho. 

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