Serviços dão, enfim, sinais de recuperação

Entre janeiro e fevereiro, segundo pesquisa do IBGE, houve alta de 0,7% no volume de serviços

O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2017 | 03h00

O mais vasto dos segmentos da economia – os serviços, com peso da ordem de 70% no Produto Interno Bruto (PIB) e que apresentavam evolução claudicante – forneceu, em fevereiro, sinais de que a retomada se aproxima. Entre janeiro e fevereiro, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve alta de 0,7% no volume de serviços, após elevações de apenas 0,2% entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017 e de 0,7% entre novembro e dezembro de 2016.

O que se destaca é a natureza dos serviços que se recuperam e a comparação menos desfavorável entre períodos mais longos. O crescimento entre janeiro e fevereiro apareceu nos serviços às famílias, puxado por alojamento e alimentação, tecnologia da informação e, em especial, transportes. É sinal inequívoco de que aumentou o transporte de mercadorias.

A safra de grãos faz crescer a atividade de transportes, em especial os terrestres, com evolução forte e constante entre dezembro e fevereiro. No caso das famílias, o avanço de 0,5% é sinal – modesto, por ora – de que a queda da inflação e dos preços de produtos alimentares já estimula maior consumo.

Os indicadores do comportamento de serviços em prazos mais longos ainda são negativos. Comparativamente a fevereiro de 2016, o recuo é de 5,1%, porcentual semelhante ao dos 12 últimos meses, em queda de 5% em relação aos 12 meses anteriores. O efeito estatístico é desfavorável e só no segundo semestre surgirão sinais mais claros de melhora da evolução dos serviços no médio e longo prazos. Os serviços ajudarão a fortalecer o PIB, dependente também do setor agropecuário, da exportação e de raros segmentos industriais.

A PMS retrata parte da atividade de serviços, mas, ao não incluir áreas como a pública e as finanças, limita uma avaliação completa do conjunto. Ainda assim, ao refletir bem o que se passa nos setores primário e secundário, permite avaliar se a economia está em recuperação. Felizmente, o diagnóstico é positivo, mesmo que a retomada venha aos poucos e que o comportamento de segmentos como serviços técnico-profissionais, audiovisuais, de edição e agências de notícias e correios ainda seja sofrível. No turismo, só em fevereiro houve alta 0,2% em relação a janeiro. Por ora, é lenta a recuperação nominal das vendas, comparada a períodos recentes.

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