Serviços em leve reação confirmam dados da indústria e do varejo

Alta dos dois segmentos entre outubro e novembro permitiu modesta recuperação de 0,1% no volume e na receita do setor terciário

O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2017 | 05h00

O comportamento do setor de serviços depende do comportamento da indústria e do comércio, o que explica por que a alta desses dois segmentos entre outubro e novembro permitiu modesta recuperação de 0,1% no volume e na receita nominal do setor terciário, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O peso dos serviços no Produto Interno Bruto (PIB), da ordem de 70%, justifica o interesse dos analistas que avaliam quando a economia dará sinais concretos de voltar a crescer.

Os números de novembro ainda são pouco alentadores, mas o momento mais crítico (em outubro houve queda de 2,3% no volume, em relação a setembro) parece estar em vias de superação. Na comparação com igual período de 2015, a queda no volume dos serviços sem ajuste sazonal foi de 7,6% em outubro para 4,6% em novembro. Esse porcentual também é inferior à queda de 5% registrada tanto na comparação entre os primeiros 11 meses de 2015 e de 2016 como entre períodos de 12 meses, até novembro de 2016.

Um economista do IBGE, Roberto Saldanha, notou que, apesar da retração da economia, algumas empresas se convenceram de que investir em serviços de informática é não só necessário para manter a competitividade, como “fator de sobrevivência”. É o que ajuda a explicar o crescimento de 1% do volume de serviços de informação e comunicação entre outubro e novembro.

O mesmo raciocínio, porém, não se aplica às famílias, que dependem de emprego e renda para consumir. Os dados sobre o desemprego e a queda da renda real média mostram as dificuldades das famílias. Além disso, pessoas físicas não têm poder idêntico ao das empresas para negociar preços, o que muitas vezes é essencial para que tenham capacidade de contratar o serviço.

Tanto analistas do IBGE quanto do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) destacaram o caráter sazonal dos dados. “Houve melhora, mas ela tem que ser constante”, diz Saldanha, avançando: “Não pode ser um mês de alta e outro de queda, tem de ser a recuperação gradativa que se espera. Essa recuperação constante da indústria é que propiciará a retomada também do setor de serviços”.

Em resumo, a retomada do setor de serviços só se confirmará com novos e promissores resultados da indústria e do comércio.

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