Daniel Teixeira/Estadão - 11/7/2020
Daniel Teixeira/Estadão - 11/7/2020

Serviços recuam 1,2% em outubro, na segunda queda seguida, aponta IBGE

Setor tenta se recuperar com o avanço da vacinação e maior mobilidade das pessoas, mas ainda patina

Daniela Amorim e Cícero Cotrim , O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 09h49
Atualizado 14 de dezembro de 2021 | 12h45

RIO e SÃO PAULO - Assim como a indústria e o comércio varejista, o setor de serviços começou o quarto trimestre no vermelho. O volume de serviços prestados no País encolheu 1,2% em outubro ante setembro, a queda mais intensa para o mês desde 2016, de acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados nesta terça-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a segunda queda seguida, depois do recuo de 0,7% em setembro.

A retração superou até as previsões mais pessimistas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam desde um recuo de 1,1% a alta de 1,4%.

“O que pegou bastante nesse resultado de outubro é justamente a queda do ritmo de atividade (econômica)”, avaliou o economista-chefe do Banco MUFG Brasil, Carlos Pedroso, reconhecendo que o resultado foi pior do que o antecipado, mas sem uma mudança qualitativa no desempenho do setor. 

Economistas do banco Citi alertaram, em relatório, para “riscos crescentes para que o PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre mostre a terceira contração consecutiva”, em vez da estabilidade atualmente prevista. Na passagem de setembro para outubro, a produção industrial encolheu 0,6%, enquanto as vendas no varejo ampliado (que inclui os segmentos de veículos e material de construção) diminuíram 0,9%, conforme dados divulgados anteriormente pelo IBGE.

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, considerou frustrantes os dados da economia em outubro, acrescentando que os indicadores de confiança não sugerem recuperação robusta da atividade em novembro e dezembro, embora haja boas notícias sobre retomada de fornecimento de peças para a indústria.  

Ela afirma que pode revisar para baixo a projeção de estabilidade para o PIB do quarto trimestre. Em 2021, a economista estima crescimento de 4,8% para a economia brasileira, mas a projeção de alta de 0,5% para 2022 está ameaçada."Começamos a ficar preocupados com 2022; há um risco de recessão no próximo ano."

A perda de fôlego de atividades econômicas, como a indústria e o comércio, está afetando também o setor de serviços, explicou Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE.

“A própria redução do ritmo da atividade econômica traz algum tipo de impacto negativo sobre alguns segmentos do setor de serviços. Pelo segundo mês consecutivo, a gente tem disseminação de taxas negativas”, apontou Lobo.

Em outubro, quatro dos cinco subsetores de serviços investigados recuaram, assim como em setembro. Os destaques negativos foram os serviços de informação e comunicação (-1,6%) e o segmento de outros serviços (-6,7%). As demais quedas ocorreram em serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,8%) e transportes (-0,3%).

“Serviços profissionais, administrativos e complementares são absolutamente dependentes do aquecimento da atividade econômica como um todo. Eles vêm de três taxas negativas consecutivas”, disse Lobo.

O pesquisador do IBGE afirma que o efeito da inflação sobre os serviços é menor do que no comércio, porque não afeta os serviços prestados às empresas. No mês de outubro, houve impacto da alta de preços sobre os segmentos de transporte aéreo, influenciado pelo encarecimento expressivo nas passagens aéreas, e de telecomunicações, devido à elevação da telefonia fixa, que também teve reajuste em outubro.

Dentro de informação e comunicação, o segmento de telecomunicações encolheu 2,2% em outubro ante setembro. Na atividade de transportes, o transporte aéreo tombou 5,3%.

“A inflação tende a afetar os serviços prestados às famílias. Isso não acontece no momento, porque a base de comparação ainda é baixa. A inflação ainda não aparece como limitador do crescimento dessa atividade. Pode ser que a gente comece a perceber isso quando esse nível de prestação de serviços às famílias atinja aquele nível pré-covid”, completou.

A única taxa positiva entre as cinco atividades pesquisadas no mês de outubro foi a dos serviços prestados às famílias, que subiram 2,7% em relação a setembro, acumulando uma alta de 57,3% em sete meses seguidos de crescimento. Ainda assim, o segmento, que inclui serviços de alimentação e alojamento, opera em patamar 13,6% inferior ao de fevereiro de 2020 - o setor de serviços como um todo está em nível 2,1% superior ao pré-covid.

Rodrigo Lobo lembra que os serviços prestados às famílias vêm mostrando maior dinamismo, impulsionados pelo avanço da vacinação da população contra a covid-19 e pelo aumento da mobilidade das pessoas. 

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