Tiago Queiroz/Estadão - 1/7/2021
Tiago Queiroz/Estadão - 1/7/2021

Serviços têm alta de 1,2% em maio e voltam a superar patamar pré-pandemia

Setor dá sinais de retomada, mas, após dois meses seguidos de avanço, não recuperou as perdas de março, segundo o IBGE

Daniela Amorim e Guilherme Bianchini , O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 09h53
Atualizado 13 de julho de 2021 | 14h29

RIO e SÃO PAULO - Passado o pior momento da segunda onda da pandemia no País, o setor de serviços tem respondido positivamente à flexibilização das medidas restritivas de combate à covid-19 e ao avanço da imunização da população. O volume de serviços prestados no País cresceu 1,2% em maio ante abril, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgada nesta terça-feira, 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A flexibilização e a vacinação reduzem perdas desses segmentos de caráter presencial”, apontou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, mencionando melhora nos serviços prestados às famílias e no transporte de passageiros.

O desempenho de maio, o segundo resultado positivo consecutivo, fez os serviços acumularem um ganho de 2,5% no período, o que recuperou apenas parte do recuo de 3,4% registrado no mês de março. O setor deve ganhar impulso no fim deste ano, diante da perspectiva de uma retomada de eventos e do turismo, previu a economista Andressa Guerrero, da Tendências Consultoria Integrada. 

Em maio ante abril, a alta de 17,9% nos serviços prestados às famílias foi o destaque da pesquisa. “Essa é a rubrica que vai dinamizar o setor nos próximos meses”, disse Andressa.

Desde o pior momento do choque provocado pela crise sanitária, os subsetores que vêm sustentando um desempenho melhor dos serviços são os que não dependem tanto da prestação presencial, como os serviços de informação e comunicação, serviços financeiros e transporte aquaviário, enumerou Rodrigo Lobo.

"Temos visto melhora na pandemia, com avanço da vacinação e redução de casos e mortes. Claro que tem muita incerteza pelas variantes, mas, se a imunização continuar nesse ritmo, pode levar a um segundo semestre mais favorável", estimou Mauricio Nakahodo, economista sênior do Banco MUFG Brasil. 

 

O setor de serviços chegou a maio operando em patamar 0,2% superior ao de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. Os serviços de informação e comunicação estão 6,4% acima do patamar pré-covid. O segmento de outros serviços está 3,3% além, e os transportes estão 4,7% acima. Já os serviços profissionais e administrativos estão 2,7% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, enquanto os serviços prestados às famílias ainda estão 29,1% aquém.

“Na medida em que a vacinação avança, a gente percebe maiores flexibilizações de medidas restritivas, maior confiança dos consumidores e famílias de consumir serviços como restaurantes, hotéis”, apontou Lobo.

No entanto, os serviços prestados às famílias ainda precisam crescer 41,1% para retornar ao nível pré-covid.

“Quando estivermos num momento já que não haja qualquer tipo de restrição ao funcionamento de estabelecimentos considerados não essenciais, aí a gente vai voltar àquela restrição de renda e do mercado de trabalho. Em algum momento, isso vai servir como um impeditivo ao crescimento dos serviços prestados às famílias. Por enquanto a base ainda é muito deprimida, então ainda há espaço para crescer sem que essa restrição de emprego e renda funcione como limitador”, ponderou Lobo. 

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