Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Servidores acampam na frente da Alerj para reforçar protesto contra reformas do governo

Para evitar confrontos, os servidores que participam do ato em frente à Assembleia Legislativa do Rio entregaram flores a policiais

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2016 | 12h07

RIO - Servidores que protestam nesta segunda-feira, 12, em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) contra o pacote anticrise do governo, em votação na Casa, decidiram montar um acampamento diante da escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia, no centro da cidade.

Após prometem permanecer no local, pelo menos, até quarta-feira, 14, o protesto começou a ser encerrado depois de seis horas. No meio da tarde, os manifestantes deliberavam sobre o acampamento montado em frente a Alerj para pressionar os deputados. Há seis barracas já montadas, cada uma com espaço para três pessoas.

Na quarta, serão votados os projetos que mais os penalizam: o que aumenta a contribuição previdenciária do funcionalismo e o que congela salários até 2020. O protesto foi pacífico e não houve qualquer incidente com a polícia, que havia montado um forte esquema na Alerj e nas imediações.

"Não sabemos quantos servidores terão disponibilidade (para acampar), pois muitos estão passando necessidade. Essa é uma forma eficaz de fazer pressão na Alerj e no governo. Em 2011, ficamos 49 dias acampados aqui e conseguimos manter nossos direitos", disse uma das lideranças da categoria Mesac Eflaim. 

"O governo não pode fazer o que quer sem que a gente ofereça resistência. Vale o sacrifício. Meu único medo é a polícia vir aqui e nos reprimir", afirmou a professora Gabriela Ferreira, servidora do Estado há 18 anos. 

Na calçada junto à escadaria da Alerj já foram montadas seis barracas de camping, cada uma com espaço para três pessoas. Os servidores acreditam que o acampamento ganhará força no decorrer da tarde e amanhã. Do alto do carro de som, manifestantes pedem que os demais convoquem mais servidores pelo whatsapp. 

Segurança reforçada. O protesto começou por volta das 10h, sob a mira de um esquema de policiamento jamais visto desde que foram iniciados os atos contra o pacote de medidas do governo, há pouco mais de um mês. Até agora, não foram registrados incidentes. Apenas uma equipe do canal de televisão Globonews foi hostilizada por manifestantes durante uma entrada ao vivo do repórter, o que gerou confusão. 

Os servidores que participam do protesto distribuíram rosas brancas a policiais militares destacados para acompanhar o ato. Também trouxeram balões brancos simbolizando a paz. Foi como um pedido para que não ajam com truculência contra a manifestação. Servidores disseram que, por conta da truculência da polícia, alguns policiais, bombeiros e agentes penitenciários que participam da manifestação e têm porte de arma vieram munidos de arma de fogo.

"Tudo se encaminha para um tragédia. Os verdadeiros vagabundos estão dentro da Alerj. A mudança no calendário foi para esvaziar o movimento. Nosso medo agora é que haja uma votação extraordinária, como aconteceu com o caso do Bilhete Único", disse o inspetor Paulo Ferreira, do Sindicato do Sistema Penitenciário do Rio. Na terça-feira passada, houve enfrentamento e a polícia disparou barras de borracha e bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes.

Ao longo da manhã, os servidores gritaram palavras de ordem contra o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e um grupo carrega um caixão de papelão para encenar o enterro do governador. Eles colocaram dois pés grandes de papelão na parte inferior para caracterizar o "defunto".

No centro da cidade, ruas de grande circulação no entorno do Palácio Tiradentes - Presidente Antônio Carlos, Primeiro de Março e Assembleia - estão fechadas para o tráfego de veículos, o que está causando confusão no trânsito em diversos pontos da região. Os acessos da Alerj estão com barreiras montadas pela polícia. Quem chega com mochila é revistado, como servidores, jornalistas ou qualquer transeunte. O objetivo é buscar possíveis morteiros. No último ato, houve disparos com explosivos desse tipo.

O carro de som contratado por sindicatos para a manifestação chegou a ser impedido de se aproximar da Alerj pela polícia, por volta das 11h, segundo Alzimar Andrade, diretor do Sindicatos dos Servidores da Justiça  (Sindjustiça). "Aprenderam o carro. Não temos medo de nada. A população está sendo manipulada e não entende que é maior prejudicada", afirmou.

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