Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Servidores do BC mantêm greve após reunião com Campos Neto terminar sem avanços

Funcionários do Banco Central pedem 27% de recomposição salarial

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2022 | 21h33

BRASÍLIA - A reunião do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com os sindicatos que representam os servidores da autarquia terminou nesta sexta-feira, 3, sem avanços nas negociações salariais, segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), Fábio Faiad, em nota. Com isso, a greve por tempo indeterminado da categoria irá continuar, completou Faiad. Os servidores pedem 27% de recomposição salarial.    

"Na reunião de hoje entre o sindicato e o sr Roberto Campos Neto, dia 3/6, às 18h30, não houve nenhum avanço. Nenhuma proposta de reajuste salarial foi feita. Logo, os servidores do BC continuarão com a greve por tempo indeterminado", disse, em nota.

Segundo um participante do encontro que preferiu não se identificar, a conversa girou em torno da pauta não financeira do movimento dos servidores, que busca a reestruturação de carreira, com pleitos como a exigência do ensino superior para concursos do órgão e mudança do nome do cargo de analista para auditor. 

Campos Neto teria dito que houve um progresso nessa pauta de reestruturação e que seria enviada para o Planalto.

A reunião foi incluída na agenda de Campos Neto no meio da tarde desta sexta. Logo depois de seu início, o BC divulgou que o Boletim Focus, que há um mês está desatualizado, será publicado parcialmente na segunda-feira, 6. Mas Faiad negou que isso tenha sido definido na reunião com Campos Neto.    

"A greve tem adesão majoritária e vai continuar a afetar a divulgação da PTAX, a assinatura de processos de autorização no sistema financeiro, a realização de eventos e reuniões com o sistema financeiro e outras atividades. O Pix não vai ser interrompido", reforçou o líder sindical, no texto.

Paralisação já dura dois meses

A greve no BC foi iniciada no dia 1º de abril, mas foi suspensa temporariamente entre 20 de abril e 2 de maio, o que coincidiu com o período pré-Copom do mês passado. Agora, se aproxima o Copom de junho, que ocorre nos dias 14 e 15. Parte das projeções de mercado do Boletim Focus é usada no modelo de inflação do BC, que guia a decisão da taxa Selic.  

Desde o último Copom, as projeções de inflação do mercado para o IPCA de 2022 e 2023 subiram, conforme pesquisas paralelas à Focus, como a do Projeções Broadcast.

Na pesquisa divulgada nesta sexta, as projeções medianas para o IPCA ficaram em 8,90% para 2022 e 4,50%, para 2023. A taxa para 2022 indica novo descumprimento da meta pelo BC este ano, já que a banda superior é de 5%. Para 2023, foco da política monetária, a mediana já se aproxima do teto, de 4,75%. O alvo central é de 3,25%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.