Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

PMs usam 2º andar de igreja no Rio para lançar bombas em manifestantes

Intenção dos atos é pressionar os deputados a rejeitar o pacote anticrise do governador Pezão

Roberta Pennafort, Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2016 | 12h34
Atualizado 06 Dezembro 2016 | 19h29

Policiais militares do Batalhão de Choque usaram a Igreja São José, ao lado da Assembleia Legislativa,  para lançar bombas de gás contra manifestantes que estavam reunidos em frente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Os PMs se posicionaram no segundo andar do prédio histórico. O protesto foi convocado para pressionar os deputados a rejeitar o pacote anticrise do governador Luiz Fernando Pezão.

"Nunca presenciei agressão como a que vi. Eles chegaram a usar a Igreja como esconderijo para surpreender as pessoas que ali estavam para reivindicar seus direitos e dignidade", disse uma servidora, que não quis se identificar. Segundo ela, os manifestantes corriam sem direção, sem saber de que lado partiam os disparos.

A Arquidiocese do Rio de Janeiro informou que vai apurar o fato de policiais militares terem entrado na Igreja São José para fazer disparos contra manifestantes. Em nota, defendeu que "soluções sejam buscadas através do diálogo e do esforço de todos, em vista da justiça e da paz."

Em nota, a Polícia Militar informou que  "foi necessário que policiais do Batalhão de Choque entrassem na Igreja São José para coibir a ação de manifestantes violentos no interior e no entorno da Igreja". De acordo com a PM, do segundo andar do prédio, os policiais tiveram "a visualização da manifestação".

Segundo a PM, o confronto ocorreu depois de "discurso inflamado" de uma das lideranças. "Manifestantes investiram contra as grades de proteção da Alerj, com lançamento de bombas de fabricação caseira, rojões e morteiros. Essa ação feriu doze policiais militares em serviço", diz o texto.

Confronto. O confronto foi o mais longo desde o início dos protestos contra o pacote de austeridade, que começaram a ocorrer logo depois do anúncio das medidas, no início de novembro.

O protesto, organizado por sindicatos de servidores públicos, começou ainda de manhã, na frente da Alerj. Do alto do carro de som, manifestantes disseram palavras de ordem pedindo a ocupação do Legislativo e policiais reagiram com bombas de efeito moral e gás de pimenta. O confronto começou por volta de 13h30. 

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