Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Servidores do Rio fazem novo protesto contra atraso no pagamento de salários

Servidores, à exceção das categorias de Educação e Segurança Pública, só irão receber os vencimentos de novembro em janeiro; pagamentos foram parcelados

Roberta Pennafort, Broadcast

23 Dezembro 2016 | 11h27

RIO - Servidores do Estado do Rio fizeram novo protesto na manhã desta sexta-feira, 23, no Largo do Machado, praça da zona sul do Rio. Em seguida, os manifestantes começaram uma passeata em direção ao Palácio Guanabara, sede do governo Estadual. O ato foi intitulado "Ceia da Miséria" e foi contra o atraso no pagamento dos salários pelo governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB).

À exceção das categorias de Educação e Segurança Pública, os servidores só irão receber os vencimentos de novembro em janeiro, conforme calendário divulgado ontem. Os pagamentos foram parcelados.

Eles fecharam as duas pistas da rua Pinheiro Machado, onde fica o Palácio, no bairro de Laranjeiras, na zona sul da cidade, após caminhar por algumas quadras, desde o Largo do Machado, onde a concentração começou às 10h.  A Polícia Militar não estimou o número de participantes, tão pouco os organizadores.

Participaram do protesto servidores das áreas de educação, saúde, Justiça, segurança, entre outras. Eles relataram dificuldades para pagar contas durante todo o ano, por causa dos sucessivos atrasos de salário. O movimento unificado dos Servidores do Estado (Muspe) informou que já distribuiu mais de 800 cestas básicas, especialmente para pensionistas do Estado, que estão em último lugar na lista de escalonamento do pagamento. 

"Vai ser o Natal da falta, estou com todas as contas atrasadas e conto com a boa vontade da família", disse a assistente social Perciliana Rodrigues de 56 anos que trabalha na Universidade do Estado do Rio (UERJ). Servidores usaram gorros de Papai Noel e ironizam a falta de salários para compras de presentes de Natal e de alimentos para a ceia.

"Não é só o Natal, é a minha vida. Não penso na ceia, em peru. Só quero arroz e feijão, lamentou a técnica de enfermagem Luzia Cruz, 53, funcionária do Hospital Pedro Ernesto, vinculado à UERJ.

 

"Estou muito revoltada. Sergio Cabral e a mulher deviam devolver os milhões que roubaram para que nossos salários fossem pago", disse referindo-se ao ex governador Sérgio Cabral e a ex-primeira dama, Adriana Ancelmo, presos sob acusação de desviar dinheiro de propina de empreiteiras. 

O anúncio feito ontem pelo governo de que os salários de novembro só serão pagos em janeiro de 2017 aumentou ainda mais a revolta do funcionalismo. “O Rio está triste neste Natal. Se vão pagar novembro em janeiro, quando pagarão o salário de dezembro? E o décimo terceiro? Fui privilegiado por ser da Justiça, mas, ainda assim, o Natal será sombrio”, disse Ramon Carrera, diretor do Muspe.

 

 

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