André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Servidores decidem encerrar greve no Banco Central

Paralisação durou mais de quatro meses e foi uma das mais longas, desde 2000

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2022 | 17h14

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) decidiu encerrar nesta terça-feira, 5, a greve iniciada em 1º de abril, pois "o movimento cumpriu seu papel". Originalmente, o movimento pedia por recomposição salarial de 27%. Após a negativa do governo federal de conceder reajuste ao funcionalismo público neste ano, a categoria passou a focar na pauta de reestruturação de carreira. 

Uma proposta de minuta foi enviada ao Ministério da Economia com a criação de um bônus de produtividade, além de exigência de ensino superior para concursos para o órgão, entre outros pontos, mas está parada na pasta - e deve ser o mote da nova etapa de mobilização da categoria. 

"Com o encerramento da greve, a mobilização se dará, nesta nova etapa, por outros meios, uma vez que, apesar do reconhecimento da Diretoria Colegiada do BC à relevância da pauta apresentada, ainda são necessários avanços objetivos com o envio e aprovação dos temas no Legislativo", disse o  presidente do sindicato, Fábio Faiad

Na segunda, o Sinal organizou atos públicos em Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. "Novas atividades de mobilização e protesto já estão sendo debatidas no âmbito da categoria e serão divulgadas e efetivadas ao longo das próximas semanas."

Faiad ainda destacou que o movimento grevista ocorreu de "maneira ordeira e responsável", garantindo a manutenção de serviços essenciais ao cidadão brasileiro, como o Pix.

Atualização de dados 

O Banco Central informou que as divulgações passadas feitas pelo órgão serão atualizadas "assim que possível''. A autoridade monetária ainda não informou novas datas.

Esta foi uma das greves mais longas desde 2000. A paralisação afetou diversos serviços e atividades do BC, dentre elas a divulgação de indicadores regulares, que não foram publicados neste período. O Boletim Focus, por exemplo, não foi publicado antes do Comitê de Política Monetária (Copom) de junho, deixando o mercado financeiro no "escuro" sobre as variáveis que o BC ia usar no seu modelo de inflação. Os dados de fluxo cambial, poupança, de crédito e setor externo também estão atrasados, entre outros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.