Will Shutter/Câmara dos Deputados
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Servidores federais farão assembleia conjunta para decidir sobre mobilização por reajuste salarial

Categorias tentam pressionar o governo em busca de aumento de salário no ano que vem; reajuste está previsto apenas para policiais federais

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2021 | 12h27

BRASÍLIA - O presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado (Fonacate), Rudinei Marques, informou que as diversas categorias de servidores federais farão uma assembleia conjunta na próxima quarta-feira, 29, às 10h30, para decidir sobre os próximos passos da mobilização por reajuste salarial.

"Essa crise veio em um momento ruim, com muitos servidores em recesso fora de Brasília. Está difícil articular e encontrar as pessoas. Mas temos uma reunião hoje com as chefias de vários órgãos para medir o grau de insatisfação", afirmou.

Várias categorias do serviço público federal, como auditores fiscais, pressionam o governo federal por aumento de salário em 2022. A insatisfação aumentou depois que o presidente Jair Bolsonaro priorizou destinar R$ 1,7 bilhão para reajuste apenas de policiais federais, em um aceno eleitoral no ano em que tentará a reeleição. Os auditores da Receita Federaladotaram a operação padrão nos aeroportos e demais alfândegas do País, como forma de pressionar o governo a regulamentar o pagamento de um "bônus de eficiência" à categoria.

Para Marques, o ideal seria que as demais categorias seguissem a Receita Federal e fizessem um movimento em bloco, para evitar uma onda de "perseguições e retaliações" por parte do governo.

"Vamos construir esse entendimento nos próximos dias. Não há mesa de negociação instalada, ainda vamos ter de trabalhar para abrir esse canal de comunicação com o governo. Em governos anteriores apresentávamos demandas e recebíamos sim ou não. Agora, nem isso", disse.

Na última sexta-feira, 24, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a concessão de reajuste a servidores públicos federais no próximo ano e afirmou que o teto de gastos públicos é "mortal", um problema para o governo. Ele comentou sobre o bônus de eficiência dos auditores e reconheceu as dificuldades orçamentárias. "A gente não quer furar teto, fazer nenhuma estripulia, mas não custava nada atendê-los", afirmou o presidente, que citou um impacto de aproximadamente R$ 200 milhões com o bônus aos auditores. "Ninguém pode prometer nada se não está no Orçamento. Realmente, o servidor está com dificuldade."

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